quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

(L)imitação da vida

Imitation of Life, Douglas Sirk, 1959
The day the world ended, Roger Corman, 1955
Spirits of the dead, Fellini, 1968
IF..., Lindsay Anderson, 1968
Satyricon, Fellini,1968

"I must have made a mistake, and now I am living the wrong life."
WG Sebald, Austerlitz

Provavelmente, o Imitation of Life é o filme que mais tremendamente atinge a angústia inerente ao cinéfilo. E ali fica ele, a meditar sobre a sua cinefilia, na cadeira auto-examinadora da obsessão.
O ver é vasto. O ver quer ver mais.
Vai-se vendo, em contínuo, mas não sem dúvidas: as possibilidades de estar alhures e de ser outrem atingem o espírito - particularmente quando a quietude do corpo se sucede nesse contínuo amorfo, a deixar entrar dentro de si toda as vidas possíveis a um ecrã. Como dentro das páginas de um livro, o prazer é imediato a cada passagem mas, no fim do longo esforço, suspende-se o travo amargo na boca que desconfia de possibilidades de uma vida não vivida. Será isto o que chamam da vida? O estado vivo da fisionomia basta para lhe chamar de vida? Como em IF, trata-se de perguntar pela esperança de um futuro mais real por chegar : afinal, ''quando é que vivemos?"

Mas depois, já envoltos todos os episódios no tempo, eis que se confundem todas as memórias, e à distância se recordam momentos que já não se sabe bem se vêm da vida ou se vêm dos filmes...

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