O artista combate o nada. O crítico combate o excesso.

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ainda a Crítica
: breves notas pessoais sobre
Histoire(s) du Cinéma
arte + crítica + historiografia


Toute la mémoire du monde, Alain Resnais,1956


‘‘TODAS AS MEMÓRIAS
TODAS AS HISTÓRIAS / ESTÓRIAS’’

- Em francês - como em português - a palavra história tem um duplo sentido: o de História e o de Estória. Em Histoire(s) du Cinéma, Godard toma literalmente o cinema nas mãos e constrói um objecto que é, em simultâneo, um objecto artístico  e que propõe uma leitura e uma compreensão particular do mundo, um objecto crítico que situa o próprio suporte no interior de um contexto maior, uma genealogia do cinema por si mapeada, e um objecto historiográfico que explica a pluralidade de narrativas possíveis ao gesto político que é o fazer História.


JLG/JLG - autoportrait de décembre  (1994)

Le Gai Savoir, JLG (1969)


- Godard avança a questão até ao fundo, pensando de raiz em todas as possibilidades; materializa esta pregnância do gesto criador/ artístico no negro (onde faz surgir imagens de letras à máquina) e no branco (onde faz surgir imagens de letras à mão). A folha em branco fala da ausência, da inêxistencia da forma, que deve ser endereçada. 

- O artista combate o nada. O crítico combate o excesso. 

- Tanto artista como crítico criam balizas para a realidade concreta. Mas se o artista combate o nada, fazendo de todas as possibilidades matéria prima para criar sobre esse nada - o crítico, ao avaliar o objecto artístico em concreto, discursa sobre o discurso. 

- Se a arte é a medida do homem, o crítico artístico é aquele que procura aceder a um conhecimento sobre o seu semelhante humano através do seu semelhante humano. O Outro é a porta de entrada da crítica. 

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