quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O apocalipse começa sempre na cidade.


Gonçalo M. Tavares foi hábil em escrever uma série de livros como um bairro : a cada personalidade corresponde um cubo que a circunscreve e lhe dá morada, a cada qual a sua casa. Os cubos empilham-se num esquema de construção simples, mas a pequenez do bairro ganha dimensão à medida que o seu organizador a povoa de nomes e estes nomes se cruzam e se entre-respondem. Num bairro deste tamanho todas as pessoas se conhecem - o que é outra forma de dizer, todos os rostos fazem sentido.
Sou de uma aldeia, que é como um bairro nisto : as ruas são mapas de rostos e os territórios correspondem aos nomes (isto é ''o-do-Z'', aqui é ''o-da-Y''). Uma aldeia também é um de senhores / donas /  tios e tias - Ti'Maria, Dona Augusta, Ti'Toino. E conhecendo ao lugar os recantos, conhecemos-lhe ainda os cúmulos : o mais velho, o mais gordo, o gago, o perneta, o zarolho. Só uma grande cidade, lançando-nos para um território várias vezes mais extenso e várias vezes mais populoso, consegue esticar-nos os cúmulos humanos até a um limite impossível de ser traçado. Entre os rostos desconhecidos já nenhum cúmulo : surgirão sempre mais gordos, mais gagos, outros pernetas, outros zarolhos. E deste meu vício pouco urbano de reparar nas pessoas, há cúmulos que só vi depois de me mudar para a cidade e que já em adulta me chocaram como a ninguém que tivesse por ali crescido : os pobres são mais pobres, os rostos cadavéricos da droga estão mais próximos da morte. 
Está inscrito na lógica do trabalho de Tavares essa mesma correspondência entre o que rodeia a casa em que se habita e os própria forma de ver o mundo. Se o primeiro mundo do quotidiano, ''além-cubo'' é esse então, já que estamos numa de cúmulos, não haverá espécime humano mais moralmente desprezível do que um burguês urbano sem consciência social - dada a medida do seu embate diário contra tantos espécimes humanos tão distantes de si. 

Estes pensamentos ocorrem-me porque hoje tive a sensação de ver caminhar a morte - e gelei neste regresso a casa. 



''A cidade é redundante: repete-se para fixar alguma imagem na mente. 
(...)
A memória é redundante: repete os símbolos para que a cidade comece a existir.''
Cidades Invisíveis, Calvino

The crazies, Romero, 1973

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Que projectos para os espaços, para os tempos

Livro da dança | Gonçalo M. Tavares 



Documentário de 1989 sobre a Internacional Situacionista 


He who gets slapped, Victor Sjostrom, 1924


L'hypothèse du tableau volé, 1978, Raoul Ruíz

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Revisitações

Textos meus sobre
ERNESTO DE SOUSA



A PARTIR DE DOM ROBERTO  (1962)  
QUE FILME É ESTE? 
http://apaladewalsh.com/2013/11/14/dom-roberto-1962-de-ernesto-de-sousa/

A PARTIR DE ALMADA UM NOME DE GUERRA (1969)
ANTICINEMA HOJE ? DESMATERIALIZAÇÃO E CONTEMPORANEIDADE 
http://apaladewalsh.com/2014/01/23/almada-nome-de-guerra-ernesto-sousa/

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Existir hoje como se não se tivesse existido ontem.


A woman in the dunes, Hiroshi Teshigahara (1964)

Verão Violento, Zurlini, 1959

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ignoramus et ignorabimus

“The impudence of Ignorance” 

 Fyodor Dostoyevsky, The Idiot



Only lovers left alive, Jarmusch


Louis Ferdinand Celine, Voyage au bout de la nuit

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

doll, the mortal cage

Broken Blossoms (Griffith, 1919)

 Abandon Ship (Richard Sale, 1957)

 
Bunny lake is missing ( Otto Preminger, 1965)



 The bitter tears of Petra Von Kant (Fassbinder, 1972)


Chinese Roulette (Fassbinder, 1976)


Annabelle (Leonetti, 2014)


The Devil's Hand (William J. Hole Jr., 1962)




Carrousel de Jeux (Yervant Gianikian + Angela Ricci Lucchi, 2006)