quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Socialismo Libertário.

"... as instituições de autoridade não são auto-justificativas, têm de ser desafiadas. Todos deviam ser anarquistas neste sentido (...) e se elas não conseguem estar à altura da prova - o que tende a ser o caso - então deviam ser desmanteladas. Isto deveria ser feito em todo o lado, desde famílias até relações internacionais, desde profissões até ciência, etc. (...) Pode dizer-se que o Socialismo Libertário é o Anarquismo tradicional. O termo é originariamente francês (...) e tende a concentrar-se no sistema produtivo, como por exemplo o controlo da indústria pelos trabalhadores, ou o controlo de outras instituições pelas pessoas que nelas participam. Não é divergente do chamado anarquismo comunitário, o controlo das comunidades pelos que nela participam. (...) No seio da tradição do socialismo libertário, nomeadamente do anarco-sindicalismo, o que é assumido é que deveria haver, na base, uma sociedade ultra organizada. (...), um controlo popular em qualquer nível, por exemplo, pela classe trabalhadora de onde estivessem a trabalhar - escritórios, fábricas, etc. E o controlo das comunidades, integradas por associação voluntária, que poderia ser regional. (...) Deveria haver estruturas federativas na base, que se estenderiam até à organização de uma sociedade internacional. Mas deveria ser altamente organizada, e controlada a partir de baixo. Quero dizer, algo minimamente complexo deve ter um grau de decisão representativa, mas sempre com um controlo directo. É uma espécie de democracia superior. De facto, uma das mais altas conquistas do anarco-sindicalismo aconteceu na Espanha libertária ; não teve muito tempo, foi rapidamente apagada, mas desenvolveu-se com relativa rapidez e foi uma bastante organizada sociedade, com muita interacção entre agricultura, indústrias e população, e até bem sucedida em termos económicos. (...) A ideia tradicional, que vem de Bakunin, é que a maneira de accionar a mudança social é construir as sementes do futuro no interior da presente sociedade. O que está implicado no progresso social é, em última análise, uma mudança de consciência. Não apenas a organização - mas a mudança de valores e de consciências. E a forma disso acontecer é através do activismo social (...), e uma das maneiras de o fazer é começar com a democracia directa onde se está. E há muitas ideias acerca de como fazer isto. Por exemplo, partilha do trabalho, decisão comum, etc. É central para adquirir uma compreensão do que uma sociedade democrática livre poderia ser, mesmo que seja num pequeno grupo. (...) O elemento central seria a participação autêntica. (...) É este o começo. Assim que isto se faz, caem barreiras entre as pessoas." Noam Chomsky, 2011

"... o que é este princípio de tratar os outros como queremos que nos tratem a nós mesmos senão o princípio da Igualdade, o princípio fundamental da Anarquia? E como será possível chegar a ser anarquista sem o ter posto em prática? Não queremos ser governados. Não queremos ser governados, mas não declaramos, por isso mesmo, não querer governar ninguém?"
A Moral Anarquista, Kropotkine

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