sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Da eternidade do mundo.






"A dupla questão: ora uma nasce a partir de muitas coisas, ora muitas vêm de uma. Dupla é a geração das coisas mortais; dupla sua maneira de perecer. Uma, que gera e destrói o todo, a outra que, igualmente, desfaz o todo e o recompõe. Esta transformação constante jamais cessa: ora tudo se une pelo Amor, ora se separam as unidades pelo ódio da Discórdia. Tanto as unidades que se tornam muitas, como as muitas que se separam, permanecem sempre. Em qualquer estágio do curso do ciclo, os elementos permanecem eternos. Atende, pois. O aprender te aumenta o juízo. Como eu já disse anteriormente, ao expor o objetivo do meu ensino, apresento a dupla questão. Ora uma nasce a partir de muitas coisas, ora muitas vêm de uma: fogo e água e terra e altura imensa do ar, a funesta Discórdia, deles separada, pesando por igual em torno, e o Amor no meio deles, igual em comprimento e largura. Contempla-o com o teu espírito (e não te admira, de olhos arregalados). Está também nos membros dos mortais e por isso têm pensamentos de amor e praticam acções de paz, chamando-as pelos nomes de Prazer e de Afrodite. A ele, nenhum homem mortal o viu vaguear entre eles. Tu, porém, escuta o discurso sem aparato de engano: estas coisas, na verdade, são iguais e coeternas; cada uma tem seu valor e seu tipo e predomina por seu turno no rolar do tempo.
Além disto nada cresce nem desaparece. Se houvesse de algo morrer continuamente, não mais existiria. O que pudesse aumentar este todo, de onde viria? Como haveria de desaparecer, se não há nada vazio? Mas, sempre são as mesmas, percorrendo entre si, tornando-se ora isto, ora aquilo, sempre eternamente iguais" 
[Frag. 17 D, de Empédocles] 

"Digo-te o seguinte: não há nascimento de nenhuma dentre todas as coisas mortais, nem fim algum por morte funesta, mas somente mistura e troca das misturas, porquanto geração é nome dado pelos homens"
 [Frag. 8, Empédocles]

"Do nada não há possibilidade alguma de que algo possa nascer; é impossível e inexpressável que, o que é, possa perecer; sempre existe, o que uma vez está posto"
[Frag. 12, Empédocles]

"Não há nada vazio no todo, de onde viria o acréscimo?" 
[Frag.13, Empédocles] 


Ao Jorge Amaro.


1 comentário:

  1. Rimo-nos com a história de Empédocles e do vulcão, o Jorge fascinava-se com ele; bela escolha, melhor só o texto que escreveste sobre o Jorge.

    http://www.esliteratura.com/docs/marcel-schwob-empedocles-dios-supuesto-5232.html

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