sexta-feira, 31 de agosto de 2012

CINERGIA # 2 Setembro 2012


DOWNLOAD em http://cinergia-revista.tumblr.com/


Neste número da Cinergia (repleto de ilustrações catitas)
junto-me a:

João Palhares (editor), António Lopes, Vasco Medinas, Rui Oliveira, João Lameira, Ricardo Madeira, Luís Mendonça, Miguel Cunha,  José Bértolo, Carlos Natálio, Álvaro Martins, e Manuela Penafria !


Da eternidade do mundo.






"A dupla questão: ora uma nasce a partir de muitas coisas, ora muitas vêm de uma. Dupla é a geração das coisas mortais; dupla sua maneira de perecer. Uma, que gera e destrói o todo, a outra que, igualmente, desfaz o todo e o recompõe. Esta transformação constante jamais cessa: ora tudo se une pelo Amor, ora se separam as unidades pelo ódio da Discórdia. Tanto as unidades que se tornam muitas, como as muitas que se separam, permanecem sempre. Em qualquer estágio do curso do ciclo, os elementos permanecem eternos. Atende, pois. O aprender te aumenta o juízo. Como eu já disse anteriormente, ao expor o objetivo do meu ensino, apresento a dupla questão. Ora uma nasce a partir de muitas coisas, ora muitas vêm de uma: fogo e água e terra e altura imensa do ar, a funesta Discórdia, deles separada, pesando por igual em torno, e o Amor no meio deles, igual em comprimento e largura. Contempla-o com o teu espírito (e não te admira, de olhos arregalados). Está também nos membros dos mortais e por isso têm pensamentos de amor e praticam acções de paz, chamando-as pelos nomes de Prazer e de Afrodite. A ele, nenhum homem mortal o viu vaguear entre eles. Tu, porém, escuta o discurso sem aparato de engano: estas coisas, na verdade, são iguais e coeternas; cada uma tem seu valor e seu tipo e predomina por seu turno no rolar do tempo.
Além disto nada cresce nem desaparece. Se houvesse de algo morrer continuamente, não mais existiria. O que pudesse aumentar este todo, de onde viria? Como haveria de desaparecer, se não há nada vazio? Mas, sempre são as mesmas, percorrendo entre si, tornando-se ora isto, ora aquilo, sempre eternamente iguais" 
[Frag. 17 D, de Empédocles] 

"Digo-te o seguinte: não há nascimento de nenhuma dentre todas as coisas mortais, nem fim algum por morte funesta, mas somente mistura e troca das misturas, porquanto geração é nome dado pelos homens"
 [Frag. 8, Empédocles]

"Do nada não há possibilidade alguma de que algo possa nascer; é impossível e inexpressável que, o que é, possa perecer; sempre existe, o que uma vez está posto"
[Frag. 12, Empédocles]

"Não há nada vazio no todo, de onde viria o acréscimo?" 
[Frag.13, Empédocles] 


Ao Jorge Amaro.


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Into.

(post irmão deste)

Hans-Jurgen Syberberg - Our Hitler (Part I) 1977

Light, L. Belson, 1973

domingo, 26 de agosto de 2012

MODELO DE CONCESSÃO DA RTP


ou Eis como se monta um esquema anti-constitucional 

para que 25 milhões de lucro anual, obtido pelos dinheiros públicos (pagos pelos contribuintes), vão directamente para o bolso dos privados (sem que estes desembolsem um cêntimo.) E com a desculpa de que se poupa ao Estado um dinheiro que este não gasta.

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=581849&tm=9&layout=122&visual=61



| 2 DE SETEMBRO |  15h |  Rossio | PROTESTO CONTRA ENCERRAMENTO DA RTP2 E CONCESSÃO DA RTP1 A PRIVADOS

sábado, 25 de agosto de 2012

Economia de Cooperação.

Vandana Shiva - O TEMPO E O MODO

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Masculin - Féminin

Amor e Amizade, laços humanos imperativos como leis de fundo - para lá das hierarquias de classe e das necessidades materiais. Um dos filmes mais maravilhosos alguma vez feitos.





Where now are the dreams of youth? 
Ozu Yasujiro, 1932

terça-feira, 21 de agosto de 2012

(memória azul)


Memory Fade, Carl Brown, 2009

Fui apresentada a este filme pelo Jorge, como a tantos tantos outros. Enviou-mo uma vez pelo correio, num dvd gravado, como fez inúmeras vezes, quando não trazia sugestões servidas de links. O Jorge era pouco mais velho do que eu mas ensinava-me como um velho mestre. Era lá no Alentejo, na vilazita de Lavre, que ele trabalhava como padeiro e amava o cinema como nunca ninguém amou. Rodeado pelo amarelo das searas e dos sóis a cair nos horizontes descobertos dos dias, carregava as mãos cheias de sensações, impressões, sentimentos. Imaginava os filmes que faltam fazer, inspirava-nos e aproximava-nos de si e uns dos outros....
Jorge Amaro, nome de um dos mais belos contos da história do cinema português. Na pele de Fitz, gestor do Karagarga, praticou uma generosidade que saciou a fome de cinema real de milhares. Não foi a nenhum curso de cinema, nunca saiu do recato da sua sombra, no entanto, viu o que ninguém viu : não houve neste país maior entusiasta dos cinemas experimentais, underground, alternativos, ... Era coleccionista, era pescador do novo. Ele próprio um esfomeado crónico. Respirava arte, poesia, filosofias, ideias.  E a cada descoberta, uma partilha, uma proximidade.

Hoje, falar de saudades é pouco. Todas as palavras são escassas.
Até que se esgotem todas as memórias de todas as pessoas que tocou, encontrar-nos-emos com o nosso querido Jorge numa maravilhosa história - a sua - que para sempre haverá de reacender de incredulidade os rostos de quem a ouvir.



Em memória do Jorge, partilho (fora KG) alguns títulos que lá postou : (upload mais antigo, o mais recente e um secreto)
Earliest: Jonas Mekas - Reminiscences of a journey to Lithuania (1972)
Latest: Péter Forgács - Hunky Blues (2009)
Secret: Andrew Noren - Free to Go (Interlude) (2003) 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

5x5x5

A convite do MY ONE THOUSAND MOVIES, esta semana junto-me à Ritha e à Andreia Mandim para participar num 5 x 5 x 5, edição especial de aniversário. Cada participação propõe uma lista de cinco títulos disponíveis para download, ou seja, 15 novos títulos para ver até ao final desta semana.

O meu critério foi seguir o espírito mais altermativo do MOTM - Recordar alguns títulos raros, alguns realizadores ainda não presentes no blog, estilos e épocas bastantes diferentes entre si. Assim, ao longo desta semana vão poder fazer download dos seguintes: 

Okraina, Boris Barnet, 1933
O Funeral das Rosas (Bara no sôretsu), Toshio Matsumoto, 1969
Film Ist … A Girl & a Gun, Gustav Deutsch, 2009
Le Soulier de Satin, Manoel de Oliveira, 1985
Le trésor des îles chiennes, F. J. Ossang 1990


OKRAINA
 O FUNERAL DAS ROSAS
FILM IST... A GIRL AND A GUN
LE SOULIER DE SATIN
LE TRÉSOR DES ÎLES CHIENNES


We only have each other

we only have right now.

4:44 - Last Day On Earth, Abel Ferrara, 2011

Newsletter Cinédrio.


A minha colaboração na Newsletter Cinédrio começa já nesta edição de Agosto, com a nova rubrica "CINEMA EM REVISTA".

sábado, 18 de agosto de 2012

Fazer verdade.

"...But is it a personal reminiscence, a documentary, an essay film, a fictional recreation, a lyrical abstraction, or a dance/performance piece? It works through — as is often the case in Dwoskin’s feature-length pieces—a series of self-contained tableaux, each one starkly set against those surrounding it, and each drawing upon a very different style of cinematic representation..."
ADRIAN MARTIN
















Behindert, Stephen Dwoskin, 1974

terça-feira, 14 de agosto de 2012

L’Insurrection Qui Vient

domingo, 12 de agosto de 2012

LOVE & ROADMOVIES / Hábeis a fugir de nós

''(...) O casal é como que o último escalão do grande colapso social. É o oásis no meio do deserto humano. Sob os auspícios do “íntimo”, procura-se aí tudo o que incontestavelmente abandonou as relações sociais contemporâneas: o calor, a simplicidade, a verdade, uma vida sem teatro nem espectador. Mas assim que passa a euforia amorosa, a “intimidade” mostra os seus pés de barro: ela própria é uma invenção social, fala a linguagem das revistas femininas e da psicologia; como todo o resto, encontra-se blindada de estratégias até a náusea. Não há mais verdade na intimidade do que noutro lado qualquer, também aí dominam a mentira e as leis da estranheza. E quando, por sorte, se encontra essa verdade, ela faz apelo a uma partilha que desmente a própria forma do casal. Aquilo que faz as pessoas amarem-se é também o que as torna passíveis de serem amadas, e arruína a utopia do autismo a dois. (...)'' 
A Insurreição que Vem, COMITÉ INVISÍVEL





They live by Night, Nicholas Ray, 1948

Bonnie and Clyde, Arthur Penn, 1967

Two Lane Blacktop, Monte Hellman, 1971

Stranger than Paradise, Jim Jarmusch, 1984

American Honey, Andrea Arnold, 2016

Thelma and Louise, Ridley Scott, 1991

Badlands, Malick, 1973

Pierrot le Fou, Godard, 1965

Passenger, Antonioni, 1975


Porque é que, sucessivamente, os filmes de fuga às normas, às leis, à sociedade, propõem um plano de fuga acompanhado, normalmente com um contexto amoroso? 
Porque é que escasseiam os filmes que idealizem uma fuga a sós?
Porque é que tão pouco se evoca o retiro do espírito para o isolamento na unidade derradeira do seu próprio corpo?
Porque esta fuga seria o último dos radicalismos: a dissolução da sociedade. E, apesar do projecto desconstrutor de cada uma das motivações, não há verdadeira anarquia nestes filmes de fuga: é, no fundo, a persistência da esperança no mundo o que eles narram. O casal ou o pequeno grupo de ideias convergentes propõem-se como unidade-basilar para a construção de uma nova sociedade. Persiste uma tribo. Persistem Adão e Eva. Persiste a reprodutibilidade, a juventude, a geração, o ciclo. Persiste uma hipótese de renovação para a espécie. Persiste o último dos optimismos. Afinal, quaisquer dias de estrada para nenhures são bons para, secretamente, recomeçar a civilização. 

Road to Nowhere, Monte Hellman, 2011