sexta-feira, 4 de maio de 2012

Fernando Lopes por João César Monteiro



Fernando Lopes por João César Monteiro
Texto publicado em "Manuel Costa e Silva Os Meus Amigos - apresentação de José Cardoso Pires - publicações dom quixote 1983



Tocou-me este nu, o meu primeiro.
Dorsal e não recto, caprichoso e revoluto, sobre si se ensimesma, rebelde à sinuosidade nadegueira, à música de esferas. De anjo barroco, jovial e travesso, borrachão, não apraz, pois, apodá-lo. A malevolência fixa-se, antes no vértice ou vórtice anichado no sovaco que, com o braço e a esquina do torso, formam, agudo, o ângulo que se exibe não se sabe se à continência se ao cálculo universal.
Prova física de uma pose, é suave, português, o jeito, duvidosa a indicação: levamos ou somos levados?
"Um bel uomo", sem dúvida, diriam as nossas avós com as passarinhas remoças por húmidos fervores. E é tudo.
E com uma passageira e natural referência ao calor (algo se intentou para que não fosse sequer balbuciada uma palavra amiga) se encerra esta breve e pretensa exposição do sudário.
Restará ainda provar qual de nós dois melhor se estende no lado pouco do sol...


(obrigada a Liliana Navarra)

Sem comentários:

Enviar um comentário