crónica de um subir

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Serra da Estrela, 11.3.2012

A radiância da luz enaltece as figuras e os lugares. Lá, onde a natureza domina, onde as montanhas se reproduzem para fora dos olhos. Cada lance desta subida guarda o quadro vivo adiante.  Quanta paisagem por ser vista. Por um momento, pareci crer que todo o cinema mora ali, do sopé ao cume, e daí até aos raios de sol. Oh, a divindade da matéria em cada um dos grãos de luz! Como não haveriam de brotar cowboys dos peitos dos jovens rapazes que correram com o horizonte por meta! Germinados na medida do excesso. Ser mais, ser de ontem e de amanhã, ser de sempre. Como não haveriam de brotar nos olhos as certezas de ali tudo querer ! Fantasias de altitude. Alucinações. O frio aquecido pelos copos. A força do fundo dos fados, arrebatados à melodia de uma voz de mulher. Ternura, a simplicidade das gentes deste vale de cobras. Os ferros torcidos à medida do homem louco, em forma de armaduras. Artesão amigo, tu que previste exércitos para as causas que a mais ninguém comovem. Batalhas de guerreiros desencarnados! Fantasmas de pátrias extintas! Junta-se o músico, adivinho, a cantar as errâncias. Suprema crença de caminhante, no seu peito de destino desacertado. Mãos de guitarra, olhos de riso. Acerca-te, aquece-te, bebe connosco. Ainda dura o whisky. Vem ver de perto como se revela o comum. Vi amizade de força, vi puro amor-cinema. Prossegue com a gente, romeiro. Estes são montes para música, são palcos para guerra, são terras de gerar cinema. São ditirambos, são delírios, são memorandos. São a nostalgia de uma harmónica de Dylan... E eu que em tempos ali estiquei os textos, tentando descrever a eternidade das rochas... Nunca como hoje assim soube da solidez, e foi pela companhia destes corações puros que a cheguei a ver...! Oh, o eterno que é da realidade ainda virgem ! Ali respirar de dentro cheio! A juventude de ser sobre as altas montanhas! Erguer pulmões plenos à brisa, travar no fôlego o ciclo dos ares sem fim, pertencer ao infinito num sopro... Como não contagiar esta arena com os tons épicos... Como não reagir com solenidade às matérias, como não admirar às rochas a presença, contornar cada vulto do que mais intimamente ali existe, do que tão nobre assim aparece... E eu sempre feliz, ali, entre a natureza e vós, meus Amigos...



Mário, José, Marta, Pedro, Maria, Rui, Jerónimo, Carlitos, Hugo, Pai Fernandes.

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