Tu imagines Robinson, Jean-Daniel Pollet, 1967

Sayat Nova, Sergei Paradjanov, 1968

Badlands, Terrence Malick, 1973

Pierrot le Fou, Jean-Luc Godard, 1965

Robinson in Ruins, Patrick Keiller, 2010
0
... depois de o coração se ter cansado de a levar para o céu de outras vidas... 
in "os meus sentimentos", Dulce Maria Cardoso 

#1 
Arruinar a matéria












Pierrot le Fou, Jean-Luc Godard, 1965







Bassae, Jean-Daniel Pollet, 1964
Le Horla, Jean-Daniel Pollet, 1966


6.8.1945, Hiroshima


RUHR, James Benning,  2009





#2 
Arruinar a teoria
Pierrot le Fou, Jean-Luc Godard, 1965



#3 
Reconsiderar a matéria-prima.
 


Pintura de Mark Rothko
Imagem via Stephane du Mesnildot
Stills de Pierrot Le Fou





4
THE FACE OF ANOTHER (Teshigahara, 1966)

... algures dentro das Investigações Novalis, Gonçalo M. Tavares
* sem escrúpulos para com a inteireza dos poemas, partilho o meu próprio sublinhado.

6.
(...) Quem sou EU?
Comi arroz e agora de novo com Fome.
(...)

51.
(...) Lá fora chove, mas no dia seguinte a água já não existe.
(...)

21.
a Possibilidade cheia.
Deus.

48.
A pele evita o espalhar dos orgãos.
Lá dentro o Massacre : escondido; suspenso.
Vou Morto mas não mostro.
Vou FUTURO Morto, mas não mostro.

1.
(...) A Morte morre-se, a vida vive-se, a Mulher mulher-se e o homem homem-se.
Temos de exercer o corpo; erguê-lo do chão; conhecer os gregos, Séneca e Kierkegaard
(...)
É urgente levar a cabeça a passear lá fora
(...)
Levar a Ideia a passear, e voltar diferente
(...)
É necessário treinar a Paciência
A divina Paciência
(...)

2.
(...)
Uma fórmula síntese:
o arroz, esse incansável escritor! o Trigo, o pão, e outros incansáveis escritores.
Outra síntese: Foi o Trigo que escreveu tudo: desde Homero
até BHAGAVAD-GUITA até Joyce e até sempre.
O princípio não era o Verbo, era SIM o Trigo, o Arroz.
Sem arroz não há verbo.
Há primeiro Fome e depois Morte, apagamento súbito.
E os Mortos não escrevem, ou se escrevem não se vê.
(...)

4.
(...)
O homem é o animal a quem trocaram a cabeça ao nascer.
(...)

6.
(...)
É outro orgão do corpo, a Poesia.
(...)
Dito de outro modo: esconde-se por detrás da Anatomia.
(...)

0


(...)
leio em voz alta, conduza com prudência, a voz escorrega contra os vidros, outro rectângulo, este pendurado, anuncia uma encruzilhada, quatro estradas devidamente numeradas, quatro destinos, posso finalmente mudar de rumo, inverter a marcha, desistir, é tentador pensar que posso escolher, e se a partir de hoje fosse realmente tudo diferente, a encruzilhada que conheço dos meus mapas, sempre coleccionei mapas, quer dizer, colecciono mapas há muito tempo, centenas de mapas em minha casa, usados, imaculados, tanto faz, nos mapas escolho os caminhos sem medo, dou voltas e voltas aos meus mundos de papel, vou a todos os lugares, sítios a que não associo uma paisagem, uma cara, uma flor, nada, terras que só existem para cumprirem o meu desejo de partir nas tardes de muito calor, estendo os mapas no chão do meu quarto, não quero saber nada sobre o mundo, nunca quis, nas tardes de muito calor, corro os estores e o meu corpo cobre-se de fios de ovais luminosas, um amontoado de pontos de luz geometricamente dispostos, passo tardes inteiras de verão a viajar, aproximo-me da encruzilhada, dos quatro destinos numerados, a chuva cai translúcida ao pé dos candeeiros de cimento, fios de água tremeluzentes, uma chuva de pirilampos, e se mudasse o destino, e se desistisse....
(...)
in Os Meus Sentimentos, Dulce Maria Cardoso

Mal Nascida, Canijo, 2007




Broadcast : Until Then

Nancy Sinatra, Bang Bang

PAPRIKA, Satoshi Kon, 2006


COLORFUL, Keiichi Hara, 2010

0
4.12.2011 czaradox blog post #1500
é de parabéns
ao PEDRO RUFINO.


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(primeira fotografia de Herman Puig,
último still de "A Paixão de Joana D'Arc", de Dreyer)


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