que as minhas mãos vazias se entusiasmem na construção da vida

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O que te peço, Senhor, é a graça de ser.
Não te peço sapatos, peço-te caminhos.
O gosto dos caminhos recomeçados, com suas surpresas e suas mudanças. 
Não te peço coisas para segurar,
mas que as minhas mãos vazias se entusiasmem na construção da vida.
Não te peço que pares o tempo na minha imagem predileta,
mas que ensines meus olhos a encarar cada tempo como uma nova oportunidade.
Afasta de mim as palavras que servem apenas para evocar cansaços, desânimos, distâncias.
Que eu não pense saber já tudo acerca de mim e dos outros.
Mesmo quando eu não posso ou quando não tenho,
sei que posso ser simplesmente.
É isso que te peço, Senhor:
a graça de ser de novo.

José Tolentino Mendonça
in Um Deus que dança. 




Karhozat (Damnation), Béla Tarr, 1988


Mère et enfant, Giuseppe Magni (início séc. XX)




Josephine Sacabo, Une femme habitée



Machiel Botman


Josephine Sacabo, Le repos

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