A cultura não tem preço.

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Não se pode demonstrar nem o sentido metafísico, nem o sentido ético, nem o sentido estético da existência.
NIETZSCHE

Em princípio, o valor ou o estatuto de um produto cultural nada tem a ver com o valor de um produto em termos económicos. Só em sentido metafórico ou dentro de um código sem leis, como o que rege as preferências estéticas, a Catedral de Chartres ou Juízo Final de Miguel Angelo têm valor. Objectos desta natureza - se é que pode chamar-se-lhes assim- são, em sentido próprio, sem preço. Como sem preço, enquanto tal, é um romance da Agustina ou um filme de Manoel de Oliveira. 
Enquanto realidades simbólicas, todas as expressões que integram e dão corpo à esfera da cultura são igualmente sem preço.
(...)
E se a América é a superpotência cultural num sentido até hoje inédito, não o deve apenas, nem essencialmente, à pura hegemonia do económico em sentido clássico, mas à culturização de todos os objectos de consumo que a edição, a rádio, a televisão, a civilização enquanto espectáculo planetário plenamente exigem.
EDUARDO LOURENÇO in "O esplendor do caos"

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Sabrina D. Marques © 2005-2015. Com tecnologia do Blogger.

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