quinta-feira, 7 de abril de 2011

O Cinema Português

fotografia de Mariana Castro no ANIM - Arquivo Nacional da Imagem em Movimento


pela eloquência de João Botelho.

Mais jovem de horizontes do que qualquer um dos que o rodeiam . É triste quando se criam novos canais - potenciais veículos de um contraponto necessário - mas não se criam novas ideias. Portugal é um país da persistência dos mitos. Não só os erguidos em torno do cinema português, que persistem pela ignorância flagrante, como os que continuam a dis-formar o carácter; sucedem-se as gerações com mais velhos do restelo.






2 : À SÉRIA, A RESPOSTA MERECIDA.




1: UM BESTIÁRIO DE CÂMARA E MICROFONE





Mesmo após o que ouviu desfiar in loco, foi admirável a manutenção de paciência por João Botelho. Confesso que eu talvez não encontrasse o controlo e acabasse a ser bem mais deselegante...
O raccord da estupidez acontece em trio. Entre os que falam dos clichés que eles próprios são, Nuno Artur Silva: "falamos de cinema português, um tema fácil...." ; "escolhemos uma cena de um dos conhecidos..." ; "foi este o mote que escolhemos para falar do cinema português : vamos embora que isto foi tudo uma grande aldrabice!"
Pedro Mexia, ex-subdirector da cinemateca (2008-2010) e tradutor das "Notas sobre o Cinematógrafo" de Bresson para português), resume o cinema português a "uma sucessão de desgraças (...) sobretudo a toxicodependência é um tema muito caro ao cinema português." Acrescenta ainda que, "com quatro ou cinco excepções, não há cinema comercial português." E eu pergunto : quais excepções?
É que nem é só o facto do programa se chamar "Culturistas", e ali se praticar o oposto do estímulo à cultura. Que criaturas são estas a quem se dá luzes, câmara, micro, espaço no cabo e na net, passível de ser visto e revisto? A mesquinhez da arte de maldizer está-lhes na imediata difamação, e o mais vergonhoso é a ligação prévia destas pessoas a importantes cargos portugueses relacionados com o cinema. Em lugar do reforço dos clichés já instituídos numa arte tão estigmatizada, num contexto de crise nacional, não só estes "líderes de opinião" deveriam irredutivelmente incentivar o consumo do público do cinema português, como não estariam a incorrer na inflação de lhe fazer nenhum favor, já que há, efectivamente, qualidade reconhecível, com cada vez prémios de primeira importância. Diria até, uma qualidade extraordinariamente improvável, quando assim se vê um meio cultural contemporâneo tão contaminado pela microcefalia do espírito.




1 comentário:

  1. eu confesso que não grande fã do João Botelho enquanto cineasta, mas a sua defesa do cinema português nesta amostra de programa foi "flawless".
    já o Pedro Mexia cada vez me desilude mais. sempre gostei do blog e dos livros dele, mas a referência ao Balas e Bolinhos e à Cláudia Tomaz é gozar sem escrúpulos com o verdadeiro cinema português à força toda...

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