sábado, 16 de abril de 2011

Movimento de Espectadores da Cinemateca.


"As imagens só existem com o fogo da projecção. Contudo, é possível queimar as imagens ao interditar a sua projecção como um auto da fé de livros." Marcel Hanoun


Movimento de Espectadores Da Cinema
CONVOCA MANIFESTAÇÃO
para o próximo dia 28

in Público, 16.4.2011



" O recém-criado movimento de espectadores da Cinemateca, que se descreve como “civil e apartidário”, convocou “uma manifestação de apoio” à instituição para o dia 28 de Abril, em Lisboa.
O movimento, que se afirma ainda “em construção”, tendo 60 pessoas participado na sua primeira reunião, informa em comunicado ter surgido “em defesa do trabalho” da Cinemateca Portuguesa, afectado pela Portaria n.º 4-A/2011, que “impede” que “tome decisões de forma autónoma sobre o seu funcionamento”.
“Para o transporte de cópias de filmes ou no caso de avaria do seu material de conservação e restauro, a Cinemateca é obrigada a pedir autorização ao Ministério das Finanças para a contratação indispensável e inadiável destes serviços”, refere o comunicado.
“O tempo exigido por este processo burocrático é inadequado à função específica da Cinemateca e boicota o serviço público”, defendem estes espectadores.
Segundo o movimento, desde março foram canceladas, no total, 59 sessões na Cinemateca. As cinco sessões diárias passaram a três e uma das suas duas salas fechou. “O desdobrável da programação mensal, com textos que apresentam a história do cinema escrita a cada mês pela Cinemateca, transformou-se numa fotocópia A4 com a enumeração de títulos e horários”, descreve o grupo de espectadores.
“Cada cancelamento é um filme que não circula, uma imagem que não pensamos. Cada filme que não é preservado é uma memória apagada, uma ideia que não veremos”, sustenta o movimento, que criou um blogue dedicado a este assunto, em http://sessaotemporariamentesuspensa.blogspot.com.
O movimento reconhece que não está em causa, “por enquanto, uma interdição ou corte”, mas realça que “a Cinemateca está impossibilitada de aceder ao orçamento que lhe foi atribuído”. Isto mesmo já explicou à agência Lusa a directora da Cinemateca, Maria João Seixas, realçando que não se trata de menos orçamento, mas de maiores dificuldades na utilização do orçamento existente.
O movimento de espectadores refere também que o “trabalho de conservação do património cinematográfico nacional único e irrecuperável”, em depósito no Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM), “está em risco”.
O grupo frisou ainda que o encontro que aconteceu na passada quarta-feira, na Cinemateca, cuja organização foi atribuída ao Bloco de Esquerda -- por assim constar da agenda do fórum online mantido por este partido, o esquerda.net --, não foi um encontro político “contra os cortes” na instituição, mas de “um movimento espontâneo e apartidário de espectadores da Cinemateca”.
Na quinta-feira, a direcção da Cinemateca Portuguesa emitiu uma nota de esclarecimento na qual disse que o Ministério da Cultura tem sido “sensível” às “dificuldades” de adaptação à nova portaria, que alterou os procedimentos administrativos.
“Refutamos as notícias alusivas aos cortes no orçamento” da Cinemateca “como causa principal das profundas perturbações actualmente sentidas em todas as suas actividades”, referiu a direcção do organismo.
Já na quarta-feira, numa nota de esclarecimento, o Ministério da Cultura, que tutela a Cinemateca Portuguesa, tinha comunicado que “não existem quaisquer cortes de financiamento” na instituição. "


1 comentário:

Julinha D. disse...

Oi!
Farejei, fucei e Lambi tudo por aqui!
Latindo e seguindo-te que nem rabo segue a cã que segue o gato, esse o rato e esse ultimo o queijo. Mas quem segue o queijo? A faca ou a goiabada? Enfim...Quando puder, dê uma passadinha na nossa arca ó http://avearreegua.blogspot.com/