domingo, 27 de março de 2011

Breves


Erwin Blumenfeld.



: DO PONTO DE VISTA DO AMOR.

Sem Sombra de Morte. Paixão, o tremendo desassossego. Se os sentidos se amparam na dedicação de uma obsessão exterior, derradeira prova da humanidade à existência, logo se sufoca o máximo contentamento do espírito de encontro às angústias da impotência. A morte só é bem sucedida a atentar-nos o espírito quando estamos apaixonados. E na certeza de que todos os corpos morrem, até a dádiva de deus aos homens, o amor mais puro, tem limites. Mas a paixão desassossega ao serviço do estar vivo. Há pessoas dessas, de tal forma erguidas pela força, que não se crê que tenham um corpo. Parecem ser de luz, feitas de uma matéria insuperável surgida de longe para nunca acabar. A vida de M. é tão viva que o seu corpo não traz sombras da morte. Não creio que seja possível que um dia desapareça da terra. Por isso, hoje resta-me amá-la, e preservar na minha fé a sua eternidade.
Mestria. O que distingue os grandes mestres dos que meramente se contratam para ensinar, independentemente do grau académico a que nos remetamos, é que os primeiros percebem que o amor às ideias não se vende. Compreendendo a multiplicidade das transfigurações do amor, os objectos a que os verdadeiros amantes dedicam o seu estudo e pensamento vivem de tal forma nos limites da obsessão dos seus intelectos, que só a sua pura partilha apaixonada servirá o interesse de os comungar. E se estes mestres percebem que os génios só surgem do respectivo amor às equações, às fórmulas, às palavras, aos filmes, às substâncias, às metafísicas, ao que quer que seja, não é de livre vontade que medirão comparativamente as motivações do seu semelhante, nem o seu aprendiz em função de uma escala numérica.

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