A Juventude marcha. IV

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9. 15 de Março
INTELECTUALISMO ESTÉRIL.
Desabafo. Por que atalhos seguiu a evolução do pensamento para que hoje se ache propósito a recolher num auditório concorrido, para passar uma tarde a discutir com pretensão a distinção entre “arte popular” e “arte do povo” ? Há limites para as necessidades de entretenimento do fastio burguês. Até na voz do filósofo francês, super-star do pensamento e absoluto vernáculo desse gosto académico pela dissecação infinita, se cansam as múltiplas caixas de categorias da invenção, da imaginação para os esforços da ordenação conceptual, das abstracções para uma intelectualização sem finalidade prática reconhecível. Enfim, as derrotas do humano relativamente à sua humanidade. A mutilação auto-inflingida do aristocrata, demasiado crente na sua individualidade, a reconhecer aos olhos da mera curiosidade, a capacidade intelectual de pensar a classe social de que se reconhece distanciado. O julgamento que acha possível, a partir da exploração analítica de certificadas obras de arte “de autor”, que nada denunciam senão esse snobismo de gosto académico e a derradeira valorização de uma simplicidade que a exaustão interpretativa não conhece, mas que, para lá das classes, habita todas as entranhas do desejo, e subjaz plenamente à aspiração humana. Sou acérrima da liberdade de expressão e defendo o pensamento livre, mas a proposta de construção de um ponto de vista segundo tais proposições à partida, implica necessariamente o exercício autoritário de definir o que é o povo, que características o identificam e, consequentemente, quais as considerações deste sobre o que distingue arte, de cultura e de entretenimento. O que nos conduz fundamentalmente a questionar qual a ordem íntrinseca que estrutura a possibilidade de que, como foi feito, se pratique uma distanciação, e que regulação se implica na distribuição dos recursos que possibilitam a criação de ferramentas intelectuais para que os filmes x, y e z que foram exibidos partam das motivações de uns e não de outros, e sejam percebidos por estes e não por aqueles.

10. 15 de Março
CICLOS DA HISTÓRIA.
Por consequência do devastador tsunami (sexta feira, 11 de Março), a eminência do desastre nuclear em Fukushima, no Japão, parece inevitável. Se o progresso engoliu sem lição os vincos mais terríveis da história, como é que se evita a desgraça agora...?

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Sabrina D. Marques © 2005-2015. Com tecnologia do Blogger.

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