segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sessenta anos depois,

em Hiroshima.










A Carp jumps in his mind | Christelle Lheureux (2005)



D’après “Barefoot Gen”, un manga de Keiji Nakazawa. De ce film, nous ne verrons rien. Une voix nous en raconte l’histoire. La voix d’un jeune japonais qui erre dans les montagnes autour d’Hiroshima, soixante ans après. L’histoire de la bombe atomique à travers ses représentations y compris dans le manga, ce qu’elle devient au travers du regard de ce jeune homme, ce qu’elle convoque dans notre imaginaire. (Christelle Lheureux)

O sobre-aviso é imediato. Uma inesperada 'chuva de bombas' ameaça a qualquer momento o verde vivo de uma floresta que cobre montanhas e se perde de vista. As árvores altas suspendem-se quase imóveis, o sol resplandece nas pedras, o rio flui com normalidade as correntes, os pássaros chilreiam nas copas. Na rotina muda da natureza já não se vê o horror que a memória guarda ainda. O horror de Hiroshima, ali ao lado.
Nem a força do azul de um céu limpo, nem os pequenos milagres que se dão entre as folhas e os insectos, nenhum dos culminares vivos da beleza é capaz de descansar ainda a terra que conheceu o inferno. Sessenta anos depois, esta terra reconhece na inquietude prudente dos passos, a persistência do medo para lá das gerações. O solo já não é inocente. Silencioso, sobrevive aos efeitos continuados da catástrofe. Ecoa a força das palavras que escapam a todas memórias sobreviventes. Por cerimónia, recebe a juventude deste corpo esguio que deambula, numa travessia familiar que explora o espaço e reflecte as consequências que inscrevem a história nos lugares e nos corpos.











A nossa situação é, no meio das avalanches, tentarmos um paisagismo. (Vasco Gato, Rusga, Trama, 2010)





Ilustração de Igor Busquets
Frase de VG via blog A Trama



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