CHRIS MARKER.

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RETROSPECTIVA CHRIS MARKER

CULTURGEST > DE QUI 2 A SEG 6 DEZEMBRO


La Jetée, 1964

"Chris Marker é um dos maiores cineastas vivos e mesmo um dos maiores da história da arte cinematográfica. Ao longo de quase seis décadas, Marker realizou dezenas de filmes e obras para televisão, curtas e curtíssimas, médias e longas e longuíssimas metragens, documentários e ficções. Viajante incessante é também o mais “invisível” dos cineastas, famoso por nunca dar entrevistas ou fazer aparições públicas.
O seu amigo e cúmplice Alain Resnais disse: “Creio que se deve a Marker a introdução no cinema da forma do ensaio”. Já nos anos 50, de resto, André Bazin tinha tido a intuição: “Para ele o comentário de um filme não é o que se acrescenta à imagem mas quase o elemento primeiro, fundamental”. Cineasta profundamente “empenhado” acompanhando as lutas políticas ao longo do tempo e dos espaços (e há breves imagens de Portugal no imediato pós-25 de Abril em Le Fond de l’air est rouge e Sans Soleil), Marker foi elaborando a memória destes tempos. E no entanto os seus filmes não são estritamente do real imediato, do cinema como “janela aberta para o mundo” mas um processo de montagem, retomando a tradição dos soviéticos dos anos 20. Na montagem não há um tempo único mas vários estratos, o passado e o presente como também o futuro: no famoso La Jetée, feito com planos fixos, a memória de infância da personagem principal é afinal a sua própria morte. O cinema torna-se tempos, no plural. Como assinalou Raymond Bellour, Marker dá a ver que a característica maior do cinema não é tanto o movimento como o tempo. E isto na ficção científica de La Jetée ou Level 5 como nas memórias dos acontecimentos. Há autores que reinventam o cinema e Chris Marker é certamente um deles.


Augusto M. Seabra




Quinta-feira 2
21h30
Les Statues meurent aussi (co-realização de Alain Resnais e Chris Marker), 1953, 30’; La jetée, 1962, 28’

Sexta-feira 3
18h30
Description d’un Combat, 1960, 56’; L’Ambassade, 1973, 20’
21h30
Slon Tango, 1993, 4’; Chats Perchés, 2004, 58’

Sábado 4
15h30
AK Portrait d’Akira Kurosawa, 1984, 1h15
18h30
Une journée d’Andrei Arsenevitch, 2000, 55’
21h30
Le tombeau d’Alexandre, 1992, 1h44

Domingo 5
15h30
Le fond de l’air est rouge parte I: Les mains fragiles, 1977, 1h30
18h30
Le fond de l’air est rouge parte II: Les mains coupées, 1977, 1h30
21h30
Level 5, 1997, 1h45

Segunda-feira 6
21h30
Sans soleil, 1983, 1h50





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evento : exibição de "La Jetée" no Second Life



Imagens de Laurence Braunberger

O incrível acontecimento teve lugar no passado dia 5 de Novembro, organizado pela produtora Les Films Du Jeudi e consistiu numa sessão de La Jetée, o filme mito de Marker, em simultâneo em projecção no Centro Pompidou e em difusão através do Second Life. O edifício e sala de cinema foram desenhados por Max Moswitzer aka MosMax Hax e o bar La Jetée (baseado no famoso bar cinéfilo homónimo em Tóquio, de Kawai Tomoyo) foi criado por Frederick Thompson aka Balthasar Truffaut.



" Como a instalação de Marker no Second Life "Ouvroir", uma galeria virtual de coisas do passado, homenagem cinemática e encontro aleatório, já tinha materializado o sonho de arquitectar um espaço online de exibição / sala de projecção, é adequado que o distribuidor de algumas das suas mais apreciadas curtas-metragens ( Laurence Braunberger ) estenda esta homenagem no interior de uma Zona por si abraçada, no interior de um gesto de "cumprimento ao cinema" enquanto destino dos que viajam sem se moverem", descreve-se em chrismarker.org.



Rara aparição de Chris Marker no bar Jetée
no filme Tokyo-Ga de Wim Wenders (1985)

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