L'homme qui n'a pas d'étoile

Par Louis SKORECKI

CINéCINéMA CLASSIC

Le plus beau Vidor. Un mythe, presque trop américain. Tout ce que la musique americana (des Everly à Dylan, de Merle Haggard à Will Oldham) charrie d'émotion et de swing primaire, lié à ses racines et à la nostalgie de ces mêmes racines, le film de King Vidor le vit tout entier, et l'annonce avec au moins vingt ans d'avance. Il est daté 1955, l'année de tous les dangers : des sessions Sun d'Elvis à la trahison télé de Hitchcock, tout commence et finit là, dans une apothéose de films épuisés, de musiques épuisantes... et tout le tintouin, comme je le dis souvent.

L'homme qui n'a pas d'étoile est l'histoire d'un cow-boy (Kirk Douglas, presque l'auteur de son personnage, comme le dit joliment Lourcelles) qui n'aime pas les barbelés, l'histoire aussi de ce qu'était l'Amérique avant qu'elle ne soit divisée en parcelles. Un pays, un empire. Filmée par King Vidor et Russell Metty (le chef op favori de Douglas Sirk), cette saga colorée, violente, masochiste, picaresque, parle surtout des grands espaces et du mode de vie des derniers primitifs américains, un mode de vie condamné par «le progrès». Kirk Douglas a produit en 1962, soit sept ans plus tard, une sorte de suite amère, Seuls sont les indomptés, dans laquelle il s'est donné le même rôle. On en reparle dans quinze jours. Eh oui, je suis encore là pour deux mois. On ne se débarrasse pas de Skorecki comme ça.
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Prazeres
O primeiro olhar da janela de manhã 
O velho livro de novo encontrado 
Rostos animados 
Neve, o mudar das estações 
O jornal 
O cão 
A dialéctica 
Tomar duche, nadar 
Velha música 
Sapatos cómodos 
Compreender 
Música nova 
Escrever, plantar 
Viajar, cantar 
Ser amável. 

Bertold Brecht, in 'Do Pobre B.B.' 

La Chinoise, JLG, 1967
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Cinco Mulheres em Torno de Utamaro, 1946, Mizoguchi

A todos desejo larga firmeza nos passos,
 e um renovado fôlego 
que se aproprie dos ânimos e das vontades.
A todos, um óptimo ano de 2010.
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O Cerne da Escrita e da Leitura

Não se é escritor por se ter preferido dizer certas coisas, mas por se ter preferido dizê-las duma certa maneira. E o estilo faz, evidentemente, o valor da prosa. Mas deve passar despercebido. Uma vez que as palavras são transparentes e que o olhar as atravessa, seria absurdo meter entre elas vidros despolidos. Aqui, a beleza é apenas uma força doce e insensível. 
Num quadro, brilha antes de mais nada; num livro, esconde-se, age por persuasão como o encanto duma voz ou dum rosto, não obriga, faz curvar sem que se dê por isso e pensa-se ceder aos argumentos quando afinal se é solicitado por um encanto imperceptível. A cerimónia da missa não é a fé, ela dispõe a isso; a harmonia das palavras, a sua beleza, o equilíbrio das frases, dispõem as paixões do leitor sem que ele dê por isso, ordenam-nas como a missa, como a música, como uma dança; se acaba por as considerar em si mesmas, perde o sentido, apenas restam oscilações aborrecidas. 


Jean-Paul Sartre, in 'Situações II' 
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Aurora dos homens.

1.
A nostalgia das promessas por vir. As hierarquias da agenda do espírito. As frases que se leram e se acreditaram, pequenas salvações à boca das horas trémulas. Chaves da ignição. Limitar. Escolher três ou quatro nomes humanos entre todos. Trazer na cabeça outras cabeças. Erguer às costas um altar. Afundar o saber no outro. Treinar o pensar com as línguas mortas. Vislumbrar a compreensão - se ela chegar. Construir maciço. Construir história.

2.
Posse, sim, mas a anarquia da posse. Terra liberta como céu liberto. O antropomorfismo dos deuses acertou.


Brice Parain in Vivre Sa Vie, Jean-Luc Godard, 1962


(...) Violence is never an end, but the most effective of the means of access, and those punches, weapons, dynamite explosions have no other purpose than to blast away the accumulated debris of habit, to create a breach -- in brief, to open up the shortest roads. And the frequent recourse to a discontinuous, abrupt technique which refuses the conventions of classical editing and continuity is a form of the 'superior clumsiness' which Cocteau talks about, born of the need for an immediacy of expression that can yield up, and allow the viewer to share in, the original emotions of the auteur.
Violence is still a weapon, and a double-edged one -- making physical contact with an audience insensitive to anything new, imposing oneself as an individual, insubordinate if not rebellious.
(...)
Violence cannot continue to exist alone without self-annihilation; the other pole of creativity for these directors is reflection. Violence has no other purpose, once the ruins of conventions are reduced to dust, than to establish a state of grace, a void, in the midst of which the heroes, completely unfettered by any arbitrary constraints, are free to pursue a process of self-interrogation, and to delve deep into their destiny. That is what generates those long pauses, those turns that are at the centre of Ray's films, as they are in the films of Mann, Aldrich and Brooks. Violence is thus justified by meditation, each so subtly linked to the other that it would be impossible to separate them without annihilating the very soul of the film. This dialectic of themes reappears in terms of the mise en scene as the dialectic of efficacity and contemplation.
Like every revolution this one brings together men who are more linked by what they are fighting against than by their profound ambitions. It is justification enough for their struggle that all four are motivated by the same desire to produce work that is modern. Even though it is with different emphases, all four at the same time draw the most striking picture of the contemporary world; they touch us by their immediacy, the physical feeling of the accuracy of what they have drawn.
Of them all, Nicholas Ray is without doubt the greatest and the most secret; without doubt the most spontaneously poetic. All his films are traversed by the same obsession with twilight, with the solitude of living creatures, the difficulty of human relationships (and that is not the only thing he has in common with Rossellini). Unadapted to a hostile world disturbed by the resurgence of primordial violence, his characters are all more or less marked with the stamp of a new mal de siecle which it would be difficult for us to disown.
(...) Such, without doubt, is the future of the cinema, in the sense that naivete, synonymous with perspicacity, is set in opposition to the wiles and tricks of the professional scriptwriters. Ray, Brooks, Mann and Aldrich are, in different ways, all naifs: Ray in the childlike clarity of his look, the provocative humility of his narratives; Brooks and Mann in the anachronistic honesty of their mise en scene; Aldrich, finally, in the candour of the acting and the unsophisticated use of effects. For years the cinema has been dying from intelligence and subtlety. Now Rossellini is breaking down the door; but you can also breathe in that gust of fresh air reaching us from across the ocean.
excerto de Notes on a Revolution, Jacques Rivette, Cahiers du Cinéma 54 (Natal 1955); p. 17-21 traduzido por Liz Heron

La Revolution N’est Qu’un Debut , Pierre Clémenti, 1968
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Est ce que les femmes sont magiques?


La Nuit Américaine , Truffaut, 1972
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All Quiet on the Western Front, Lewis Milestone, 1930


O PASSADO COMANDOU O FUTURO
Havemos de viver num sistema ordenado e, nesta lógica, estão previstas 
todas as dinâmicas do encontro e do reencontro. Há uns anos valentes, escrevi um pequeno texto chamado "Ode aos Gigantes" mas só hoje é que encontrei os Gigantes que a ficção ali descreveu. Se pudesse reclamar-lhe uma espécie de dedicatória tardia, de certeza que o remetia à morada desses dois tipos incríveis, o JOSÉ OLIVEIRA e o MÁRIO FERNANDES. Há pessoas que nascem com vocação natural para serem humanos. Tipos destes, que a fortuna fez encontrar, uniam-se cada qual nas sinceridades particulares da sua acção muda, até que conheceram para se emparelhar. E é com luminosidade que me chegam, trazendo formas à minha inspiração. Tipos destes são afinal um tributo à própria vida nas contas de cada dia em que cá se acrescentam. Resta-me agradecer aos recambolescos da ordem pelos raios de luz que tive o privilégio de receber dos nomeados para, de alguma forma, guiar a solidão irredutível deste caminho. Esse misticismo é daqueles que habita os recantos das ruas e não os espectros coloridos dos olhos para o céu.  

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Cloths of Heaven
William Butler Yeats

Had I the heavens' embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.

Thomas Wrede


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Bullitt, Peter Yates, 1968


Two Lane Blacktop, Monte Hellman, 1971


Vanishing Point, Richard Sarafian, 1971


Christine, Carpenter, 1981



AUTOBAHN - KRAFTWERK :












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LOUISE BOURGEOIS



COM USURA
EZRA POUND
Com usura nenhum homem tem casa de boa pedra
blocos lisos e certos
que o desenho possa cobrir;
com usura
nenhum homem tem um paraíso
pintado na parede de sua igreja
harpes et luthes
ou onde a virgem receba a mensagem
e um halo se irradie do entalhe;
com usura
ninguém vê Gonzaga, seus herdeiros e concubinas
nenhum quadro é feito para durar e viver conosco,
mas para vender, vender depressa;
com usura, pecado contra a natureza,
teu pão é mais e mais feito de panos podres
teu pão é um papel seco,
sem trigo do monte, sem farinha pura.
Com usura o traço se torna espesso
com usura não há clara demarcação
e ninguém acha lugar para sua casa.
Quem lavra a pedra é afastado da pedra
O tecelão é afastado do tear.
COM USURA
a lã não chega ao mercado
a ovelha não dá lucro com a usura
A usura é uma praga, a usura
embota a agulha nos dedos da donzela
tolhe a perícia da fiandeira. Pietro Lombardo
não veio da usura
Duccio não veio da usura
nem Pier della Francesca, nem Zuan Bellini veio
nem usura pintou La Callunia.
Angelico não veio da usura; Ambrogio Praedis não veio,
Nenhuma igreja de pedra lavrada, com a inscrição:
Adamo me fecit.
Nenhuma St. Trophime
Nenhuma Saint Hilaire.
A usura enferruja o cinzel
Enferruja a arte e o artesão
Rói o fio no tear.
Mulher alguma aprende a urdir o ouro em sua trama;
A usura é um câncer no azul; o carmesim não é bordado,
A esmeralda não encontra um Memling.
A usura mata a criança no ventre
Detém o galanteio do moço
Ela
trouxe paralisia ao leito, jaz
entre noivo e noiva
CONTRA NATURAM
Putas para Elêusis
cadáveres no banquete
a comando da usura.
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Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos
Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos
detidos: hei-de partir quando as flores chegarem
à sua imagem. Este verão concentrado
em cada espelho. O próprio
movimento o entenebrece. Mas chamejam os lábios
dos animais. Deixarei as constelações panorâmicas destes dias
internos.


Vou morrer assim, arfando
entre o mar fotográfico
e côncavo
e as paredes com as pérolas afundadas. E a lua desencadeia nas grutas
o sangue que se agrava.


Está cheio de candeias, o verão de onde se parte,
ígneo nessa criança
contemplada. Eu abandono estes jardins
ferozes, o génio
que soprou nos estúdios cavados. É a cólera que me leva
aos precipícios de agosto, e a mansidão
traz-me às janelas. São únicas as colinas como o ar
palpitante fechado num espelho. É a estação dos planetas.
Cada dia é um abismo atómico.


E o leite faz-se tenro durante
os eclipses. Bate em mim cada pancada do pedreiro
que talha no calcário a rosa congenital.
A carne, asfixiam-na os astros profundos nos casulos.
O verão é de azulejo.
É em nós que se encurva o nervo do arco
contra a flecha. Deus ataca-me
na candura. Fica, fria,
esta rede de jardins diante dos incêndios. E uma criança
dá a volta à noite, acesa completamente
pelas mãos.



Herberto Helder
Cobra
Poesia Toda
Assírio & Alvim
1979

Devil's Den Elevations, Philip Wolfhagen, 2000

Philip Wolfhagen, New Delirium, 2007
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Como as ordenações de maravilha
da bela Blimunda entre as paixões.



1

lume
de secreta e líquida língua
nome
que procura a água de uma boca
ou
um lugar no corpo
que preceda em sede
o amor

: amo esse instante
a brevíssima pausa antes
da nomeação


2

sobretudo e ainda mais
um dia
arrancado palavra a palavra
a este poema

:sobretudo e ainda mais
o segredo de um nome
murmurado gota a gota
entre ti
e a distância
quase imperceptível
entre ti
e mim

sobretudo.
e ainda mais,
amor.



3

em dias como este
lentos
lisos
brancos e quentes
pela chaminé de casa sai um sussurro
um restolhar brando
quase de pássaros
quase de árvores
quase de flor

:cá dentro
o meu anjo
despe as suas asas
e um vento brisa se alevanta
nas planuras do meu ventre

a tua voz o riso manso dos teus olhos
os teus beijos de plumas e de sossego
crescem em mim como mãos
: no fundo que me é terra
filhos raízes desbravam-me os nomes
e copas cópulas de sol
e mar de marés
vêm ver morrer devagar
toda a água da boca
na praia dourada do corpo

(sob a tua língua
amado
eu escrevo vales
concâvos desejos
ou
promontórios de luas e pequenos segredos)



4

quando em abraços por fim
nos caímos
um do outro por fim
saciados
descem por meus olhos os ténues fios
que te hão-de crescer
em novas sedes
em novas águas

e tu
devagarzinho me alisas
a curva mansa destas lágrimas
com abraços longos
beijos e murmúrios apertados entre a carne
como a terra dá ao mar em dias assim
parados
muito parados
quase imóveis


5

não sei de hora mais hora em mim que possa
com o ir
e vir das horas e das marés
ser mais mar
mais outra coisa
que o amor em refluxos
de sal e onda
que o amar-te por sobre o dia
e por sobre o tempo do dia
que olhar o infinito do ir e vir
aqui
perante as ondas
perante o mar
e descobrir que sobram sempre
mais dois
mais dois
mais dois de sal e de marés
mais dois de sal e de marés
e de tempo que se desfaz noutra e ainda
mesma coisa
como areia da praia toda líquida
ou água de mar toda verde
que esconde em si todo o sol
e todo o azul
de céu
infinito

: não sei de outra coisa
amor,
que amar o mar e o amor
amar-te no mar
deste amor
e assim erguer o meu corpo
perante o dia



Anneè Olofsson, I put my foot deep in the tracks that you made, 2000

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«JAPAN IN LISBON»
ESPAÇO NIMAS : 12 DE DEZEMBRO


"A Void Creations e o Núcleo de Programação Cinematográfica têm o prazer de apresentar a noite nipónica «Japan in Lisbon», a acontecer no próximo sábado 12 de Dezembro no Espaço Nimas.
Numa noite que se fará totalmente em dedicação ao Japão, a Void reconstrói um pequeno monumento cultural em cinco vertentes: música, cinema, dança contemporânea, fotografia e gastronomia.
Estas cinco vertentes artísticas serão traduzidas na exibição do filme "Madadayo", a última obra do lendário realizador Akira Kurosawa, a performance do bailarino contemporâneo Hajime Fujita, um cocktail de sushi feito ao vivo, a exposição do fotógrafo Hiroyuki Kai, e, para finalizar a noite, o concerto da cantora e compositora Hana Kogure, um dos novos talentos da folk japonesa.
"Madadayo", o último filme realizado por Akira Kurosawa, conta a história verídica de um escritor e professor de Alemão – Hyakken Uchida (1889-1871) – que se reforma logo antes da II Grande Guerra. A obra incide sobre a relação do professor com os seus alunos, que o acarinham e cuidam durante a velhice. Em cada aniversário, Uchida celebra com os seus discípulos, que, brindando à sua saúde, lhe perguntam se está pronto para morrer. Feliz, ele responde sempre «Madadayo!» (Ainda Não!).
No final do filme haverá oportunidade para desfrutar da melhor cozinha japonesa feita ao vivo. Afim de criar uma viagem para todos os cinco sentidos, será disponibilizado um cocktail de sushi, sashimi, sakê e chá num ambiente decorado com bonsais.
Logo de seguida, será apresentada a performance de Hajime Fujita, bailarino e coreógrafo japonês, que tem por mote artístico a interacção do corpo com o espaço. Fujita explora a dança de improvisação e as potencialidades físicas dos lugares onde se apresenta.
A noite será encerrada com a voz trinada de Hana Kogure, cantora e compositora de folk japonês, cuja lírica incide sobre os temas mais naturais da nossa existência – um velho amor, o luar, o cantar dos pássaros."

Local: Espaço Nimas
Hora: 21h30
Entrada: 10€
Morada: Av. 5 de Outubro, 42B
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la réponse de ténebres
FATALE
FATALE

FATALE
BEAUTÉ




" Parte nenhuma.. distância na proximidade, distância suprema na distância. O mais extremo e mais central limite de ambas. Irrealidade contida na sua dupla realidade, evocação mágica numa e noutra de um mundo longínquo e recuado. A beleza. Porque na mais romota fronteira, a beleza irradia, da mais remota fronteira, ela irradia sobre o homem transcendendo o conhecimento , transcendendo a questão, sem esforço apenas apreensível pelo olhar. unidade do mundo fundada pela beleza. estabelecida sobre o belo equilíbrio do ultra longínquo, que penetra todos os pontos do espaço, difundido sem esforço o olhar resplandescente que os abraça. É portanto como um sortilégio. E a beleza é uma feiticeira enfeitiçada, dotada de um poder demoníaco de absorção universal, incluindo todas as coisas no seu equilíbrio saturniano. Tal é a beleza. E por isso ela é também uma recaída na pré-divindade e por isso que ela é para o homem, uma reminescência de alguma coisa. "

HISTOIRE(S) DU CINÉMA - JLG






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Paris Blues
MARTIN RITT (1961)


 Embriagados num ritmo frenético, insatisfeito. 
Corpos sem alma ligam-se no milagre do acaso. 
Louis Armstrong, sobrenatural, irrompe num encantamento de Hamelin. 
A pungente força primitiva do jazz liberta e os corpos do amor dançam. Agrupam-se na boémia, a sempre tão viciante semente da imaginação, a escorrer até à manhã de cada dia diferente. 
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Manny Farber and All That Jazz

By Jean-Pierre Gorin

(Cinemascope)


In 2006, Jean-Pierre Gorin produced and directed a tribute to Manny Farber at the University of California, San Diego called Manny Farber and All That Jazz. An exhaustive affair, the evening included a panel discussion, live music, and excerpts from films such as Husbands, Comanche Station, and In a Lonely Place. The centerpiece of the event was a visual exploration of “Planet Manny,” constructed by Gorin using military mapping software that made extensive use of 4K technology to present 13 of Farber’s paintings of Farber’s from the abstract period to his most recent one (including the image on the cover, also detailed on the last page of this magazine, Sherlock Jr.). The technology allowed Gorin (and the audience) to travel through the pictures from the perspective that Farber had painted them. According to Gorin, “It never stopped and it looked like a painting by Manny.”

What follows is the introductory text to the program that Gorin distributed to the spectators. It can—and should—also used as a guide for anyone who cares to mount his or her own personal tribute. —MP


At the core of this evening, a few simple precepts:

1) It is impossible to reconcile the name Farber and the word “tribute” and the absurdity of heaping praise on such an artful cliché-dodger is self-evident. Yet once this impossible mandate has been accepted, apply to Farber’s work his own critical medicine: burrow into the work, extend the evening, collaging it with pace changes, multiple tones, and get as many different voices into it as possible.

2) Let the paintings be seen. Let the paintings be seen. Let the paintings be seen. Camp at Calit2. Make massive use of digital technology. Sacrifice as many animal farms as possible to this often inclement God, cross one’s fingers for computers not to crash, for smooth transitions and change-over, and savor the irony of using 4K wizardry to further the understanding of someone who is fundamentally a quill and ink, scissors and paste guy.

3) If and when the machine breaks down, remain persuaded that the evening would then achieve a true “Farberian” gait. In short, use whatever happens to endorse the be-bop dissonant harmony inherent to so many of Farber’s written and painted pieces.

4) Reset the clocks. Manny Farber is not a film critic who renounced film criticism and switched to painting. The absurd condescension that puts a hobbyist tag on Farber’s work simply denies its uniqueness. Farber is this extraordinary case of someone equally fluent in two practices, painting and writing, that inform and modify each other incessantly. It is his existence at the confluence of these two practices that makes his work so layered, contradictory, polyphonic. In short, a.l.i.v.e.

5) Reset the clocks. Manny Farber is not a film critic. To see him as a film critic is as absurd as seeing the philosopher Gilles Deleuze as a film critic when he writes Cinema: The Movement Image or The Time Image. Deleuze thinks via films through some fundamental problems raised by his practice as a philosopher. Farber is a painter and a writer who turned to film because film allowed him to ask and solve some fundamental questions raised by his practice as a painter and a writer. In short, thank you very much, like Walter Benjamin and a few others, Farber is a child of the century.

6) Reset the clocks. Manny Farber’s paintings are NEVER homage to the films or film directors he analyzed. They are always a meditation on how a film practice that essentially defines the function of the image as passage and disappearance could transform the practice of painting that has traditionally defined the image as appearance and fixity. Lo and behold, the meditation paid off: Looking at a Farber painting is to be trapped and seduced by systems of motion.

7) Reset the clocks. Manny Farber is not a diaristic painter. By this account Cézanne would be sent to the same hell for painting apples or traipsing to the Mont Saint Victoire. A handwritten note on the canvas is not simply a laundry note (however witty, cryptic, etc.) but an enticement to read that gets frustrated by an upside-down placement on the canvas, its half-erasure, or simply the nervousness and speed of the trace. Speed, speed, speed, at all cost…style, style, style over content any time of the day.

8) Reset the clocks. There is a fundamental playfulness and a pervading sense of pleasure that every inch of a Farber painting or article communicates. Try to get some of it in the way this evening will function. As Farber would say, “Go for tricks.”

9) Reset the clocks. One of the glories of Farber’s work is that it exists as a result of his constant interaction with the painter and writer Patricia Patterson. Stress how essential she has been in the elaboration of the Farber machine (choices of colors, patterns, words, sense of when a piece of writing or a painting has gelled and needs to be left alone). Risk the hypothesis that one should talk about Farber/Patterson as one talks about Straub/Huillet.

10) Strive to create an evening that does not only talk about Farber, but functions as a Farber, and leave the audience with this sense, diffuse or clear.


—Jean-Pierre Gorin

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I can't escape myself
THE SOUND


I'm sick and I'm tired
of reasoning
just want to break out
shake off this skin



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"De certo modo, a descoberta que ele fez para o teatro, fi-la eu a nível cinematográfico. "Escavar a verdade sob o cúmulo do óbvio, unir com evidência o particular e o geral, fixar no geral o que é particular, esta é a arte dos realistas", disse Brecht, e creio que os nossos filmes deverão reinventar o realismo, neste sentido. É necessário, acima de tudo, que a câmara não seja um olho, mas um olhar. Este é o trabalho (...) E conhecer a distância, moral e material (dá na mesma) entre o que se mostra e câmara. Para o enquadramento, os alemães usam a palavra "Einstellung". Einstellung também significa disposição moral. (...) O que é necessário, creio, é uma ideia. Uma ideia que não seja uma intenção simbólica nem psicológica. Uma ideia moral, logo política. "

Straub

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“The main problem with narrative in film is that when you become emotionally involved, in becomes difficult to see the picture as picture.”
— Michael Snow
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En Rachâchant
Danièle Huillet e Jean-Marie Straub (1982)
Textos de Marguerite Duras



Para a Mariana Pereira!
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Images du monde visionnaire
HENRY MICHAUX (1963)


(Infelizmente só encontrei a versão resumida, este corte não é o original)
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