terça-feira, 7 de abril de 2009

A Mulher Sem Cabeça.


La Mujer sin Cabeza
LUCRECIA MARTEL (2008)
"A Mulher Sem Cabeça", Vero, prisioneira de um passado que nunca poderá resolver. O devir da loucura é o presságio inevitável de que a família nunca escapará, como profetiza a irmã.  Inicia-se uma jornada para dentro da culpa com um misterioso incidente de carro, em que Vero julga ter atropelado uma pessoa, e em que só o espectador sabe que foi um cão. Na verdade, a quebra quase oculta da protagonista, que é vista pela atenção da câmara, passa despercebida entre a falta de atenção real dos que a rodeiam. Vero é um espectro, plácido e indiferente, prisioneiro da própria realidade: um casamento já desanimado, as traições com o primo, uma profissão em que não é realmente necessária, filhas que não recorda. Toda uma apatia caminha no rosto de Veronica (Maria Onetto), sufocada em silêncio numa cidade pequena, em que todos se conhecem. Num subtexto, há na culpa com que Vero se confronta um certo remorso aburguesado, pela certeza de que qualquer crime cometido por aquela classe alta seria deixado à omissão e à impunidade. É então que, nesta batalha interna em que o seu silêncio sofre, Vero decide pintar o cabelo de escuro. "A Mulher Sem Cabeça" é um mapa psicológico sem rumo, ao compasso da desfragmentação.
Bravo, Martel.

2 comentários:

eduardo disse...

Já tinha tido a oportunidade de ler a sinopse da "Mulher sem cabeça", mas de qualquer das formas achei a tua versão igualmente interessante.

Vamos lá ver se a Medeia não faz fitas e o exibe cá em cima. Se não, dramatizo.

Sabrina Marques. disse...

Espero que tenhas sorte. Volta para dizer de tua justiça. Beijo*