sábado, 21 de março de 2009

Paisá.

"Paisá quer dizer, em italiano, "pequena pátria". O título é sugestivo das intenções do realizador. (...) O argumento acompanha o movimento de libertação do país, progredindo do Sul para o Norte. (...) A libertação é essencialmente espiritual e implica o sacrifício para a ela se chegar."
Manuel Cintra Ferreira







Truffaut sobre Rossellini

via José Oliveira

4 comentários:

  1. Talvez seja por isso que, se não me falha o câmbio, um Rohmer vale 100 Rossellini's...

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  2. Dificilmente concordo com isso. Há títulos e títulos para cada um dos casos, tendo em conta aquilo que já tive oportunidade de ver.

    São gostos. Para mim, Roma Cidade Aberta bate aos pontos qualquer Rohmer.
    Mas com certeza que percebo essa afirmação à luz da dramaturgia, o ponto de análise que, suponho, mais lhe interessa.

    Adoro Rohmer, e a moralidade inscrita no seu Cinema. Os personagens têm vivacidade, inteligência e uma filosofia característica pela dicotomia entre discurso e acção que em tanto se aproxima das noções kantianas de intenção, segundo a Crítica da Razão Pura, que tenho em agenda fazer, um dia, uma pesquisa mais detalhada sobre isso.

    De igual forma, há moralidade em Rossellini, mas talvez mais do ponto de vista da dissecação, do conto do trauma com vigor patriótico. A moralidade é da colectividade, da nação e a câmara, mais maniqueísta do que em Rohmer, aponta como errado, por norma, é estrangeirado. (Do mesmo modo o verificamos em De Sica, nalguns de Bertolucci ou até no belo Sicília de Straub.)
    Ando submersa nestas provas de real, neste neo-realismo italiano purificado, uma autêntica viagem a Itália. Celebro o olho plebeu das câmeras, despido, condizente com a simplicidade das gentes e das vidas. E todo o sofrimento encenado dissimula o próprio dramatismo que carrega, pois tem o certificado de certeza passado pela História. Quase com uma pretensão documentarista romanceada. Sem os artíficios mais elaborados da ficção, sem a revelação exuberante dos dispositivos técnicos do Cinema, sem intromissões oníricas, sem discursos in media res. E eu gosto.

    =)

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  3. Hmmmm, o que diria a Haidée sobre isso? Nada, graças a Deus.
    Se bem que maliciosa e pueril, a personagem tem pelo menos o condão de estar mais ocupada em olhar as estrelas.
    Quanto ao neo-realismo, brindo sempre aos grandes autores que nele nasceram e que a ele sobreviveram ;-)

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  4. O que eu merecia era uma resposta em grego!
    Encarnava o pasmo do desconhecido nos olhos baços da Haidée, e aprendia a contemplação das naturezas puras e simples, piquenas, como a sobrevivência as quer.
    =)

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