domingo, 1 de março de 2009

Double Dardenne.

Sessão siamesa de irmãos Dardenne. O consumo duplo é assim distribuído pela Atalanta.


E o resultado é o vinco acentuado do miserabilismo com que estes pessimistas afundam qualquer vida jovem num último negro longe da esperança.
 


LE FILS (2002)


O estilo é o chamado ''realismo'' a toda a prova com sabor a Dogma. O jovem protagonista, Francis, de 16 anos, saía do reformatório onde se encontrava desde os 11, o seu castigo pela morte do filho de Olivier. E não lhe bastasse já ter cumprido a sua pena para com a sociedade, o jovem ainda será vítima da perseguição oculta de Francis - e ao espectador é dada um posição de julgar o já julgado, de escrutínio moral, vendo segundo o mesmo olhar espião de Olivier.




ROSETTA (1999)

O tom mais cerrado de melodrama de Dickens. Apesar dos olhos gravíssimos, da seriedade com se responsabiliza e lança para fora toda a juventude dos seus traços, à procura de superar a pobreza extrema do dia-a-dia, os ombros carregadíssimos ainda lhe mexem, cruelmente : Rosetta libertará uns toscos passos de dança arrancados a um corpo permanentemente contraído. E a primeira noite dormida fora da roullotte, em descanso absoluto, apazigua-se de si para si com o monólogo que precedeu o sono :
- Tu tens um trabalho. Eu tenho um trabalho. Tu tens um amigo. Eu tenho um amigo. Tu tens uma vida normal. Eu tenho uma vida normal. Tu não vais cair na merda. Eu não vou cair na merda. Boa noite. Boa noite.
No dia seguinte, por desenlace trágico, perde o emprego e é obrigada a trair o único amigo que tem na vida para o tentar obter. Moral da história? 
Uns imorais Dardenne a quererem ensinar-nos ridiculamente como até o escassíssimo dinheiro corrompe as almas puras, se elas realmente não tiverem outra saída senão precisar dele.

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