sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ton nom.

"Hi-ro-shi-ma... Hi-ro-shi-ma.
C'est ton nom"

"C'est mon nom. Oui.
Ton nom a toi est Nevers.
Ne-vers-en-Fran-ce".






A nasty sort of person


Jacopo Pontormo (after Michelangelo), Venus and Cupid, 1533

"....Now he's caught - a nasty sort of person.
They gave him time
Doors bang - chain gang - he hates it

Oh, Arnold Layne
It's not the same, takes two to know
Two to know, two to know
Why can't you see?..."
()
Suddenly the rush of the mighty great thunder,
confronted Swan Lee as his song he sang,
In the dawn, with his squaw, he was battling homewards
It was all written down by Long Silas Lang.

The land in silence stands...

Arnold Lane, Swan Lee (Silas Lang), Syd Barrett

Sair da Caverna, II.



Enfim, ó felicidade, ó razão, eu separava do céu o azul, que é negro, e vivi, centelha dourada da luz natureza. Em minha alegria, eu assumia uma expressão tão burlesca e alucinada quanto possível:

Ela foi reencontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar
Ao sol misturado.

Minha alma eterna,
Segue teu rogo
Contra a noite pura
E o dia em fogo.

Te libertas então
Dos votos humanos,
E ímpetos vãos!
E voas segundo...

Jamais a esperança,
Jamais orietur.
Ciência e paciência
O suplício é seguro.

Tampouco futuro,
Brasas de cetim,
Vossa paixão
É a obrigação.

Ela foi reencontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar
Ao sol misturado.

Tornei-me uma ópera fabulosa: vi que todos os seres têm um fatalismo da felicidade: a ação não é a vida, mas uma forma de dilapidar alguma força, um enfraquecimento. A moral é a debilidade do juízo.

Parecia-me que a cada ser devem ser dadas outras vidas. Este cavalheiro não sabe o que faz: é um anjo. Esta família é uma ninhada de cães. Diante de vários homens, falei em voz alta com um momento de uma de suas outras vidas. — Assim, amei um porco.

Nenhum dos sofismas da loucura, — a loucura de atar, — foi esquecido por mim: eu poderia repeti-los todos, tenho o sistema.

Minha saúde esteve ameaçada. O terror me invadia. Caía em sonos de vários dias e, desperto, continuava os mais tristes sonhos. Estava maduro para a morte, por uma senda de perigos minha fraqueza me conduzia aos confins do mundo e da Ciméria, pátria da sombra e dos turbilhões.

Tive de viajar, dissipar os encantamentos reunidos em meu cérebro. No mar, que amava como se devesse purificar-me de uma mancha, eu via elevar-se a cruz consoladora. Eu fora amaldiçoado pelo arco-íris. A Felicidade era minha fatalidade, meu remorso, meu verme; minha vida seria sempre excessivamente imensa para ser dedicada à força e à beleza.

A Felicidade! Seu dente, doce até a morte, me advertia do canto do galo, —ad matutinum, no Christus venit, — nas mais sombrias cidades.

É estações, ó castelos!
Qual a alma sem defeitos?

Fiz o mágico estudo
Da ventura, que ninguém elude.

Saudemo-la, cada vez
Que cante o galo gaulês.
Ah! Não mais ambições:
Pus minha vida em suas mãos.

Este encanto prendeu-me alma e corpo
E dispersou os esforços.

Ó estações, ó castelos!

A hora de sua fuga, enfim!
Será a hora do meu fim.

Ó estações, ó castelos!

Isto passou. Hoje eu sei saudar a beleza.

Excerto de "Delírios", Cap. II "A alquimia do verbo", Rimbaud, tradução de Janer Cristaldo

Sair da Caverna, I.



Os comediantes da verdade e do pecado. Entre os homens antigos que se tornaram célebres pela sua virtude, parece que houve um número extarordinário que representou para eles mesmos: sobretudo os Gregos, esses comediantes natos, te-lo-iam feito de um modo inteiramente involuntário, e teriam achado isso bom. Por outro lado, cada um com a sua virtude de todos os outros: como seria possível que não utilizassem todos os artifícios para dar a virtude como espectáculos a si mesmos em primeiro lugar, simplesmente para se exercitar! Para que servia essa virtude se a não pudessemos mostrar ou se não se prestasse a ser mostrada!- O cristianismo pôs um freio a esta comédia da virtude: em compensação inventou a enjoativa gloriola, a parada do pecado, introduziu no mundo a culpabilidade afectada (até hoje é "de bom tom" entre os bons cristãos).
AURORA, NIETZSCHE

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

City sad

The Crowd, King Vidor, 1928

"A mind of a certain size can feel only exasperation toward a city. Nothing can drive me more fully into despair. The walls first of all, and even then all the rest is only so many horrid images of selfishness, mistrust, stupidity, and narrow-mindedness. No need to memorize the Napoleonic code. Just look at a city and you have it. Each time I come back from the country, just as I am starting to congratulate myself on my calmness, there breaks out a furor, a rage... And I come upon my mark, homo sapiens, the acquisitive wolf. Cities, architectures, how I loathe you! Great surfaces of vaults, vaults cemented into the earth, vaults set out in compartments, forming vaults to eat in, vaults for sex, vaults on the watch, ready to open fire. How sad, sad..." Henri Michaux

Vamos partilhar esta alucinação, vamos


Céline et Julie vont en bateau, Jacques Rivette, 1974.

A sobrevivência do Amor :




A câmera-coeur de Garrel é o acto tempo da epifania.

CARMELO MARABELLO em "Journal, Nico"


Drogámo-nos no seu cinema, sonhámos sonhos de sexo e noite, de natureza e de corpos, nós os filhos serôdios do salazarismo, que já nada queriamos nem de deus, nem da pátria e da família apenas aguardavamos a mesada.
Depois de Rossellini, depois de Godard, o cinema rasgava os cânones da teia dos sentidos, da mecânica narrativa, das motivações psicológicas, recuperava do par de namorados esse beijo que é o intenso desejo de filmar, a câmara possuindo a rapariga abandona, pintor e modelo presos pelo rodar da película, prazer consentido e desvendado.

JORGE SILVA MELO em "O Cinema do Filho"




J'entend plus la guitare
PHILIPPE GARREL (1991)


"- Devias fazer o retrato da Lola. Verias que ela tem uma existência própria.
- Eu sei que ela existe, mas podia muito bem ser outra.
- Achas que as mulheres são todas iguais.
- Digamos que sim. É por isso que não quero outra. Sei que se fosse outra seria a mesma...
- Tu, por outro lado, nunca deixarás de procurar a mulher ideal. Hás-de ir mudando sem te dares conta de que a mulher ideal tem de ser criada por ti. Receias o fim de um amor como receias a morte. "Só as grandes coisas têm grandes fins", já dizia Heidegger.
- Quem?
- Um outro Martin...
- Julgas que se vive de citações mas elas só vêm nos livros. E a vida...
- A vida também vem nos livros.
- És um parvalhão!
- O amor foi inventado pelos trovadores.
- Começou nos livros e acabará...
- Quando não tivermos mais livros.
- Talvez sejamos a última geração a amar...
- ... ou a falar de amor."






Le Coeur Fantôme
PHILIPPE GARREL (1996)

O Alegre Desespero (GENTLY WEEPING)



I look at you all see the love there that's sleeping
While my guitar gently weeps
I look at you all
Still my guitar gently weeps.




Poema do alegre desespero
ANTÓNIO GEDEÃO

Compreende-se que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,

ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.

Compreende-se.

E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,

e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio,
e os poemas de António Gedeão.

Compreende-se.

Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.

Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.

E o nosso sofrimento para que serviu afinal?

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Sós.

Afinal, morrem todos sós. Também amam sós na verdade, e na maior parte das vezes. Outras vezes, por raridade, vêm o seu amar acompanhado. Nisto, mútuos, vêm-se, afinal, vivos. E viver, para eles, é esquecerem-se de que o final chega, para afinal morrerem.
- Desculpe senhor, já lhe disse. Só vendemos caixões para um.





Stills de Couraçado Potemkine (de Sergei Eisenstein, 1926) e de Nostalghia (de Andrei Tarkovsky, 1983), decerto inspirações para o trabalho de Niklas Goldbach.


Todos os homens da família morriam sozinhos. Sozinhos, secos e de pele curtida, sentados num banco a ver as árvores a dar fruto e os frutos a amadurecer e a cair e a apodrecer e as estações a chover e a crestar a terra. Todos os homens morriam sós e voltavam ao pó. As mulheres também morriam, mas uma mulher nunca morre só. Há sempre uma dor que lhe faz companhia, uma dor estranha e inatingível aos olhos machos.
Excerto de "Geada", de Laura, em Um T1 debaixo da Ponte

Os espelhos de Ingrid Bergman.


ELENA E OS HOMENS / VIAGEM EM ITÁLIA

de dentro para fora.
do burguês para o povo.
do interior para o exterior.
da solidão para a multidão.








sábado, 24 de janeiro de 2009

A cada um a sua dança de vitória.

she loves you yeah yeah yeah




Tudo cai eventualmente.


Nuit et Brouillard
ALAIN RESNAIS (1955)

Katy Grannan











segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

somes faces are bigger than others.


Rever "To have and have not" (Howard Hawks, 1944) é sempre um relembrar da contracena brilhante entre Humphrey Bogart e Lauren Bacall.
E inevitavelmente a mesma certeza: Lauren Bacall é a mulher mais bela de toda a História do Cinema.

domingo, 18 de janeiro de 2009

“She was ready to deny the existence of space and time rather than admit that love might not be eternal.”






sábado, 17 de janeiro de 2009

Entre ter e ser.


THE UNKNOWN, TOD BROWNING, 1927
(...)
tempos ausentes dos tempos, presentes nos tempos. sobre o escândalo, sem escândalo,
de uma perna envolvendo a outra perna. os ninhos que existem no corpo. os nichos
que em que o corpo se abre. e devolve um gesto. acontece-me pensar que a vida mergulha a pique
no tempo. e deixa rasto de saliva. de suor. ecos de água. uma casa. uma casa
corpo. uma casa gesto. verbo. suo sempre um sonho quando a noite me acontece. e claramente
vislumbro essa distância. entre ter e ser.

e o gesto possível entre mim e ti. digo-te da casa que nos construí para atravessar
esta distãncia gelada. um fio de pensamento. as memórias de dias
futuros assolam-me. como espectros de paredes nuas. afixo-me
num sentimento. numa desejada representação de personagens.
para que a luz nasça aí e deixe um rasto de importância. e não me reste na boca
esse sabor inconfundível
da impalpabilidade. apresento-te o meu corpo. derradeira esperança de me
confundir na fronteira entre o existir. e o não existir. ** deito-lhe um sonho dentro... **
como vela abrindo caminho por entre a noite. e digo-te deste sal
que carrego e se esboroa entre a pele e o suor. desejaria
um céu. no lugar do mar. uma noite de estrelas em cadências
de abraços. no lugar do abismo que este mar
de sal e marés
abre no meu olhar.

por, Raul Brandão, Húmus, excerto de "Toda a vida a gente usa a vida como quem usa uma ninharia", via blog Break On Through.

Le fantôme.


Life as a war.

The Deerhunter, Cimino, 1978





Novocaine for the soul
EELS


Riding
ESPERS

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

STEREODOX : Cores para o fim-de-semana.




White Winter Hymnal
FLEET FOXES

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Niklas Goldbach





ver os vídeos e as instalações no site.

Rodney Graham


Rodney Graham, Welsh Oaks

Irene Fay


Fitted sheet on the Line


His shirt on the Line, 1977

Slow de alcova a duas vozes


LES AMANTS, LOUIS MALLE, 1958


estamos aqui
deitados sob este céu nocturno
este testemunho imenso e então eu digo as palavras mais breves. por
exemplo
tu
e com a certeza de ter inventado
novo vocábulo
encosto a minha à tua boca
e devagar
a percorro toda
língua a língua
como quem saboreia um acontecimento e o quer
partilhar. ah, que alegria...

mas na verdade
esta noite vai deixar-nos uma pequena tristeza.
uma vocação de ser
assim impossivelmente um outro.
é uma vocação que nos desliza por entre os dedos.
pele com pele adivinhada.
exige a presença de uma mão
e outra mão. é a medida exacta e breve de um vocábulo
pronunciado
a medo
entre lençóis. sei que digo também
amo-te
como quem pensa ter inesperadamente chegado
a casa. e digo também
olha querido
como é perfeita a curva
em que o meu olhar se debruça. os teus olhos aguados são
o meu destino. há na tua íris uma menina
que sou eu. reconheço-me aí. mulher menina.
um segredo que desvendas. mas
a noite acaba e eu sinto desvanecer-me em ti. fica
fica mais um pouco.

sei que inventaremos um novo léxico
para sussurrar uma existência. fora do tempo
a construção da linguagem
faz-se de seda. abraços de casulo. na penetração
do corpo pelo corpo. quem entra em quem. quem
de nós recebe a palavra como consagração
das horas. quem. eu. tu.

..................... __ ..........................

e agora conto-te. destes momentos que são
entre uma madrugada
de bruma e um ar pesado impregnado de jasmim. quero-me
inteira. capaz de feitos assombrosos. para nessa urgência te revelar
este mistério. agora
te pronuncio lenta. lentamente.
fazendo ressoar em mim cada som que é o mais
pequenino lugar do teu corpo. um mapa que reconstruo por dentro dos meus
olhos. os percursos do desejo. as rotas de seda. seda.
da boca apetecível.
dessa língua quente. o rasto translúcido da tua saliva
nos meus seios. do meu ventre que
se eleva de encontro ao teu. numa importante
declaração de ardor. das minhas mãos que apertam as tuas nádegas.
dum pomar de braços e pernas. ou uma inflorescência de beijos
no caule erecto do sexo - evolam-se os suspiros
como cântico de amorosas elegias. há uma réstea de luz no semicerrado
olhar. o meu procura o teu. para lhe disputar uma identidade.

( resgatarei uma conversa. como quem
necessita de um sangue que o alimente. como quem
deitado à beira de um outro corpo
se descobre. chorarei. então.
porque as grandes revelações se fazem também de lágrimas.
por nós chorarás também tu. aqui. entre os teus
braços a vida parece um incrível acontecimento. fica. fica mais um pouco. )


( leio para ti **Tu choravas e eu ia apagando
com os meus beijos os rastos das tuas lágrimas
- riscos na areia mole e quente do teu rosto.
Choravas como quem se procura.
E eu descobria mundos, inventava nomes,
enquanto ia espremendo com as mãos
o meu sangue todo no teu sangue. ** )

falo-te
com esta voz que quase me desconheço. deste futuro passado.
da urgência de uma mão na outra mão. da medida exacta.
da transformação da carne. na invasão interior.
uma ocupação de seiva no sangue e saliva. a flor
mais secreta dos nossos dias. no coração fazemo-nos
um do outro como sangue equivocado. veias como rios
em veias como mares. veias como linhas perfeitas.
perpendiculares. tangenciais verdades. quase direi
nesta ocupação há uma só verdade. tu. eu. jardim de palavras. gestos. beijos.

e então tu dizes assim
como quem pensa um novo pensamento
vamos soprar para longe a realidade. vamos,
juntos, porque só juntos
existimos, fugir da voz razoável
que nos prende os gestos e nos despenha
nos abismos do quotidiano. nunca ninguém o disse, mas é a esta pasmaceira
que se acerca de nós sempre que nos deixamos envolver pela constância dos dias
que se chama inferno.

oico-te.
e sinto dentro de mim a maravilha
que nasce com a descoberta das coisas novas. tu puxas-me para ti e entre
os teus braços eu descanso desta sombra. brandamente vais contando da melodia
que o teu corpo escreve
só para mim.

o mundo existe apenas no local solar para onde
os teus olhos olham, do outro lado apenas existe
uma sombra, gigantesca, sem sentido, sem sentidos. como se eu fosse
cego sem essa luz,
como se as minhas mãos perdessem
o seu sentido primordial: o teu corpo. não, ou antes sim, ou talvez,
suporto este vazio de coisas comuns, esta falta dessa terra fecunda: o teu ventre, onde...

sulcas em mim a certeza de existir. é. também eu não sei se sou
ou não sou. ausente de ti
apenas imagino o meu corpo. o meu nome
despe-se da sua origem. como se a minha fosse a tua genealogia.
sem ti a minha história
dissolve-se. rasga uma das tuas páginas
crava-a aqui. entre as minhas pernas. uma importante
página que narre todos as viagens que em mim farás. sim.

( leio para ti **Não sei se o mundo existia e nós
existiamos realmente.
Sei que tudo estava suspenso,
esperando não sei que grave acontecimento,
e que milhares de insectos paravam e
zumbiam nos meus sentidos.
Só a minha boca era uma abelha inquieta
percorrendo e picando o teu corpo de beijos.** )

e agora posso dizer uma coisa?
não sei mesmo se sem ti sou ... a importância
do que penso
inscreve-se somente
nesses espaços quase inexistentes
entre ti e mim. quase inexistentes...


(leio para ti ** Desviei os meus olhos para ti:
ao longo do teu corpo morriam as estrelas.
A noite partira. E, lentamente,
o sol rompeu no céu da tua boca.**)


** albano martins** blimunda e baltasar, blog Sublinhar

Robert Adams