terça-feira, 30 de setembro de 2008

"Bom dia, sonho!"


Fotografias de Abbas Kiarostami

Compreensão da árvore


A tua voz edifica-me sílaba a sílaba

e é árvore desde as raízes aos ramos

Cantas em mim a primavera breve tempo

e depois os pássaros irão

povoar de ti novas solidões

E eu sentirei na fronte permanentemente

o sudário levemente branco do teu grande silêncio

ó canção ó país ó cidade sonhada

dominicalmente aberta ao mar que por fim pousas

na fímbria desta tua superfície.


Ruy Belo

Satan is everywhere

The Death of Satan, Daniel Johnston https://www.youtube.com/watch?v=KMQkox6d1rQ
"I wake up drunk, sick, disgusted, frightened, in fact terrified by that sad song across the roofs mingling with the lachrymose cries of a Salvation Army meeting on the corner below "Satan is the cause of your alcoholism, Satan is the cause of your immorality, Satan is everywhere workin to destroy you unless you repent now" and worse than that the sound of old drunks throwing up in rooms next to mine, the creak of hall steps, the moans everywhere --Including the moan that had awakened me, my own moan in the lumpy bed, a moan caused by a big roaring Whoo Whoo in my head that had shot me out of my pillow like a ghost."
BIG SUR: KEROUAC (1961)

domingo, 28 de setembro de 2008

cantar custa uma língua

A minha Musa antes de ser
a minha Musa avisou-me
cantaste sem saber
que cantar custa uma língua
agora vou cortar-te a língua
para aprenderes a cantar
a minha Musa é cruel
mas eu não conheço outra


ADÍLIA LOPES

Olympia Teil 1 - Fest der Völker, Leni Riefenstahl, 1938

1925-2008

sábado, 27 de setembro de 2008

STEREODOX - Just another night in Nantes.





BEIRUT: NANTES

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

: Novas do planeta JLG

La Catastrophe

c'est la première strophe

D'un poème

D'amour.



Jean Luc está de volta aos ecrãs. Assinará a curta metragem que servirá de anúncio do próximo festival de Cinema de Viena, de título "Une Catastrophe". Será uma colagem digital à Godard.


D'amour.D'amour.D'amour.D'amour.D'amour.D'amour.D'amour.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Ceci n'est pas une pipe.



quarta-feira, 24 de setembro de 2008

''Vencer o tempo pela perenidade da forma.''



O que conta não é mais a sobrevivência do homem e sim, em escala mais ampla, a criação de um universo ideal à imagem do real, detado de destino temporal autónomo. "Que coisa vã a pintura", se por trás da nossa admiração absurda não se apresentar a necessidade primitiva de vencer o tempo pela perenidade da forma!
André Bazin

Obra-prima.



BRIGADOON: VINCENT MINELLI (1954)



terça-feira, 23 de setembro de 2008

Aqui por um bocadinho :


Outono Escaldante, Zurlini 2
Outono Escaldante, Zurlini 3
Outono Escaldante, Zurlini 4
La prima notte di quiete“, (1972) Valerio Zurlini

Peito em tempestade :




THE MORTAL STORM: FRANK BORZAGE (1940)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Rohmer : o primeiro olhar não ensina nada



Revi hoje La Collectioneuse, e foi todo o Rohmer que revi, no espantoso espelho de um passado no  mais total engano total.
A conclusão é de uma mobilizadora certeza: porque, tantas vezes, o primeiro olhar é diametralmente injusto, a revisão é um exercício vital que nos salva de perpetuar por dentro certas traições à realidade. No meu primeiro olhar sobre o filme, confundi o ócio em que as personagens distendem os dias e as noites com a amorfia moral de uma certa burguesia. Vi aí a falta de um compromisso de participação na sociedade e, por acréscimo, uma falta de Rohmer à capacidade de ver ''the big picture''. Enganei-me, tanto. Afinal, em cada uma destas personagens, um emblema de classe, uma síntese: o cinema de Rohmer é microscópico, e de uma reduzida amostra da sociedade reflecte (a partir de detalhes, de pequenos símbolos, de estórias ligeiras) toda a escala - não é um cineasta de esquerda, mas a ''luta de classes'' está lá e é, precisamente, o pano de fundo de um olhar analítico.

LA COLLECTIONEUSE: ERIC ROHMER (1967)

Eric Rohmer, por Serge Daney


Primeira qualidade do cinema de Rohmer: a paciência. Não somente no caso de um homem seguro de si o suficiente para se impor- ao termo de um longa-metragem e de alguns filmes pedagógicos- como um dos “grandes” do jovem cinema francês. Mas também em uma obra onde tudo nos leva a esta virtude primordial: saber esperar, aprender a ver; ambas as atitudes são, graças ao cinema, uma única e mesma coisa. Como se o mundo não passasse de um imenso repertório de lições de coisas, repertório este do qual nunca se fez realmente o inventário.
O primeiro olhar não ensina nada. Mas há por detrás da neutralidade das aparências – em Rohmer, nada é sublinhado, e ainda menos privilegiado- uma lição a merecer, uma ordem a descobrir, uma verdade a pôr em evidência. Esta lenta maturação constituirá o próprio tempo do filme, ou seja: ela, longe de excluir os tempos mortos e os detalhes, apenas será possível por meio destes.
O princípio é simples então: catapultar idéias contra experiências, observar escrupulosamente e ver o que resulta daí. A experiência é para Rohmer um pouco o que foi para Hawks: a única realidade, que nos informa onde estão o possível e o impossível, recusando o segundo, buscando esgotar o primeiro. Toda idéia que não foi experimentada- ou seja: encarnada, filmada- não existe. A mesma coisa com os personagens: para que lhes seja consentido “ver” alguma coisa, é-lhes necessário um périplo, uma iniciação, uma prova ao termo da qual eles terão merecido o que já possuíam, mas que deveria tornar-se mais interior ( devenir plus intérieur), melhor assimilado por eles. No Signo do leão, é preciso merecer a riqueza por meio de um teste de pobreza que o obriga a redescobrir tudo; logo, a ver melhor. A mesma situação, só que num registro menos grave em La Boulangère de Monceau.
A experiência exige a maior honestidade possível, muitos escrúpulos e meticulosidade. Mas Rohmer é o cineasta assombrado pela geografia, as cidades, os mapas, as pedras, tudo o que pode oferecer esta resistência impessoal que torna as aventuras humanas mais exemplares.
A ficção, contudo, é sempre uma fraude; é preciso dissimular, gerir seus efeitos. É justamente o contrário que ocorre com os filmes pedagógicos, onde Rohmer reencontra a paixão da precisão, o ódio do “flou” e da entropia, a beleza de um raciocínio e o caráter inelutável de toda experiência. Nos Cabinets de physique au XVIII siècle, que é talvez sua obra-prima, é-lhe suficiente filmar uma experiência de Física, passo a passo, para que nasça a emoção mais simples. E a mais estranha também, pois nascida unicamente da exatidão.



Dictionnaire du cinema, Éditions universitaires, 1966
Tradução: Luiz Soares Júnior.

sábado, 20 de setembro de 2008

UMBERTO ECO

SOBRE O FASCISMO



"O primeiro traço do protofascismo é o culto à tradição. O tradicionalismo é mais antigo do que o fascismo, e era típico do pensamento católico contra-revolucionário após a Revolução Francesa; mas nascera muito antes, no final da era helenística, como reacção ao racionalismo grego clássico.
Na bacia do Mediterrâneo, povos de religiões diferentes (todas admitidas indulgentemente no Panteão romano) começaram a sonhar com uma revelação feita na aurora da história humana. Essa revelação permanecera por muito tempo oculta sob o véu de línguas esquecidas; estava contida nos hieroglifos egípcios, nas runas celtas, nos pergaminhos de religiões asiáticas ainda desconhecidas.
Esta nova cultura tinha que ser sincrética. Sincretismo não é apenas, como diz o dicionário, "a combinação de diferentes formas de crença ou prática"; uma tal combinação tem que tolerar contradições. Cada uma das mensagens originais contém uma centelha de sabedoria e, quando parecem dizer coisas diferentes ou incompatíveis, de facto estarão apenas aludindo, alegoricamente, à mesma verdade primeva. Em consequência, não pode haver progresso do saber. A verdade já foi pronunciada de uma vez por todas, e só podemos seguir interpretando sua mensagem obscura.
Basta olhar para os patronos de qualquer movimento fascista para encontrar os grandes pensadores tradicionalistas. A gnose nazista nutria-se de elementos tradicionalistas, sincréticos e ocultos. (...) Basta ver as estantes que as livrarias americanas reservam para a "new age" para encontrar até mesmo Santo Agostinho, que, pelo que sei, não era fascista. Mas o próprio facto de pôr no mesmo saco Santo Agostinho e Stonehenge já é sintonia de protofascismo.
O tradicionalismo implica a recusa da modernidade. Tanto fascistas quanto nazistas cultuavam a tecnologia, ao passo que pensadores tradicionalistas normalmente a rejeitam enquanto negação de valores espirituais tradicionais.
Entretanto, apesar de orgulhoso de suas conquistas industriais, o elogio nazista à modernidade era apenas a superfície de uma ideologia baseada em Sangue e Solo (Blut und Boden). A recusa do mundo moderno era disfarçada de refutação ao modo de vida capitalista, mas destinava-se principalmente à rejeição do Espírito de 1789 (e de 1776, é claro). O Iluminismo, a Era da Razão, é visto como o começo da depravação moderna. Nesse sentido, o protofascismo pode ser definido como irracionalista.
O irracionalismo também depende do culto à acção pela acção. Sendo a acção bela em si mesma, ela deve ser implementada antes de ou sem qualquer reflexão prévia. Assim sendo, a cultura é suspeita na medida em que é identificada com atitudes críticas. Os intelectuais fascistas oficiais estão ocupados sobretudo em acusar a cultura moderna e a "intelligentsia" liberal pela perda dos valores tradicionais.
Nenhum sincretista é capaz de suportar a crítica. O espírito crítico faz distinções, e ser capaz de fazê-lo é signo de modernidade. Na cultura moderna, a comunidade científica elogia o desacordo como maneira de aprimorar o conhecimento.
Para o protofascismo, desacordo é traição."

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Aquele momento, eles não o lembrariam. Não houvesse dele uma foto.




Maria-do-Mar Pedro Rêgo, “A História de Tudo Aquilo que É”
Novo Talento Fnac Fotografia 2010, menção honrosa

O que é nacional é...

bom. Mas só às vezes.
Não é  caso.
Com o erro também se aprende, gente.


Porto Santo, Vicente Jorge Silva (1997)

Linho.







O Linho é um Sonho
Catarina Alves Costa | 2003


domingo, 14 de setembro de 2008

Lua-nova :

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A girl and a gun


Cowboy Kate
and other stories


by SAM HASKINS

Chiado terrasse :

Forever Marilyn
by Alfred Eisen





BANKSY






quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Os tempos serão sempre de fuga :


MURIEL
ou
LE TEMPS D'UN RETOUR

ALAIN RESNAIS (1963)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

THE GUTTER TWINS.


Hoje, no em Santiago Alquimista, o concerto de The Gutter Twins, projecto que une dois dinossauros do grunge: Greg Dulli (Afghan Whigs) e Mark Lanegan (Screaming Trees, Queens Of The Stone Age).


Idle Hands

domingo, 7 de setembro de 2008

I hope for the best but I'm always expecting the worst.


"O sofrimento tem qualquer coisa de viciante."


there's something beautiful dying everyday.




LES JEUX DES ANGES - Animação de Walerian Borowczyk 1968

Mantra :

A place in the Sun, George Stevens, 1951


Love like you have never been hurt.

Já não se morre de amor.


As Virgens Suicidas, Sofia Coppola, 1999

"... os rapazes estavam sempre dispostos a morrer pelas raparigas- e vice-versa. Não se encontravam todos no mesmo penico velho a que estão destinadas todas as almas puras e decentes? E eram uns queridos, todos eles. Uns amores, realmente...."
Henry Miller, Nexus


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Blues, brothers.

Paris Blues, Martin Ritt, 1961



SAD DAYS, LONELY NIGHTS: JUNIOR KIMBROUGH


BALL AND BISCUIT: THE WHITE STRIPES


GOING DOWN SOUTH: R. L. BURNSIDE


GROANING THE BLUES: ERIC CLAPTON

Mojica Marins




Com 72 anos, Mojica Marins ( mais conhecido por Zé do Caixão ) é o mais popular dos realizadores brasileiros no género do terror. O Motelx, Festival de Cinema de Terror de Lisboa, tem exibido os filmes «À meia-noite levarei sua alma» (1964), «Esta noite encarnarei no seu cadáver» (1968) e «O Despertar da Besta» (1969) e disponibilizou, de 4 a 6 de Setembro, um workshop com o realizador.
Hoje, a partir das 23h30 e depois da exibição de um dos fimes, estará com a sua filha, a também realizadora Liz Vamp, no Cabaret Maxime. Por apenas 5 euros, há ainda concerto dos THE ACT UPS e dj-set com os CAMPEÕES DO IÈ-IÉ.

Super Banda.


John Lennon (Beatles), a comer a sopa e a confraternizar com Jagger (Rolling Stones). "Yer Blues" tocada por Lennon, Eric Clapton (Cream) Keith Richards (Rolling Stones) e Mitch Mitchel (Jimi Hendrix Experience).

terça-feira, 2 de setembro de 2008

3 Mulheres.





3 WOMEN: ROBERT ALTMAN (1977)