sexta-feira, 30 de maio de 2008

STEREODOX: Post-Wonderland



Acabada de chegar da minha primeirissima Wonderland Party! . Esta festa itenerante foi parar ontem ao Gasoiil. Teve os DJs Lady Bambi, Witchell e A Boy Named Sue, para dar o rock'n'roll de girar os calcanhares e a Go-go Mirelle a fazer das suas danças exóticas, desnudadas a bom ritmo. E há Russ Meyer's para quem quiser ver. Tudo isto foi por 3€, numa porta verde da rua da Madalena.
E vocês, onde é que estavam?


e isto lembra-me de ainda não vi o Lovebirds, onde a Mirelle aparece.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Somos a sombra da nossa imaginação.

2001- Odisseia no Espaço, Kubrick, 1968

"Our imagination flies; we are its shadow on the earth."
Vladimir Nabokov

STEREODOX - um vídeo novo


SIGUR RÓS
GOBBLEDIGOOK

terça-feira, 27 de maio de 2008

amanha, no Lux...


Animal Collective

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A volúpia pela realidade: Kechiche



o Segredo de um Cuscuz

LA GRAINE ET LE MULET

sábado, 24 de maio de 2008

THE KNIFE.

heartbeats.

CASHBACK.



Vamos falar de fraude. E então, só no nome é que este filme é apropriado. Dá realmente vontade de pedir o dinheiro de volta.

A mulher é a promessa que não pode ser cumprida.




Woman with cigar, Kees Van Dongen

'Woman is the promise that cannot be kept,' said the poet Paul Claudel. 
But does she know that? She - her sexuality, her voice and eyes and skin and hair - is the promise that we men make to ourselves hour after hour every day, every day of our lives. If she is not the secret of the universe, then there is none. To us she appears in the clandestine and burning center of the mind as the form we most deeply desire and must create or die. There she is - dressed, or half-dressed, in her mysterious clothes, hair a little mussed, lips just moist enough; and from going to and fro in the earth, and from walking up and down in it - the real earth, and not just the enchanted fragment of it that blazes in the longing mind to furnish her setting - she becomes a hidden archetype to the beholder rendered godlike by her presence: his possession and promise, soulless and soulful at the same time, receding, flashing up with terrible certainty at the most inopportune times that she then makes opportune. Behind her are real women, giving to the ideal the substance it requires from the lived world, and serving to make more powerful and imperious those all-powerful creatures of the depths of our being, the slaves of our needs who enslave us. We have seen her in actual beds, and seen her satisfactions taking place hiddenly, deep in the body, from outward signs so powerful and intimate that we know, with awe and gratitude, that we could never attain anything of like consequence, or even approach it. We leave her sleeping, and retire to the center of the mind, where she has taken a new dimension, another hairdo, another set of magic lingerie. We love her there in another one of her endless changes, and wonder when she will come true again, taking on the mortal and identifying flesh without which all ideals die, as a real woman, perhaps not yet encountered, unhooks her bra with the strange motion that only women have ever mastered, smiling with infinite complicity. "
James Dickey 

L'Amour et la Violence


Sebastien Tellier


"... Gosto de opostos. É aí que reside a perfeição, nesse equilíbrio, nessa estabilidade entre o superficial e uma certa gravidade emocional.(...) Componho canções que são, de uma vez só, ligeiras e complexas. (...)Gosto que valores opostos coexistam. E a Eurovisão corresponde a isso. É qualquer coisa que faz parte de um tempo que já lá vai, e depois o conceito do evento mete em cena duas coisas que, para mim, não têm nada a ver: música e competição."

Já cá tinha falado deste senhor. O representante da França no Festival Eurovisão , gera polémica junto dos franceses porque o fabuloso tema "Divine" não tem letras em francês. Virá a Portugal apresentar o seu novo "Sexuality", gravado com Guy-Manuel Homem de Christo, um dos Daft-Punk. Será a 14 de Junho, no Centro de Artes de V.N. de Famalicão.

L'AMOUR ET LA VIOLENCE!


quinta-feira, 8 de maio de 2008

Into the Blue.



A Revista Time publicou um ensaio fotográfico que reporta o problema da produção de calças de ganga de marcas conhecidas, em países como a China ou o Sri Lanka.
Ver o resto das fotosaqui.

Carta para o Exílio.

Un Chant D'Amour, Jean Genet, 1950

dir-se-ia que a noite vem e me traz com ela
até ti
até às horas em que se me despertam estas palavras

escrevo-te sentada no silêncio profundo desta aldeia.
por vezes ponho-me à escuta e quase sinto o mar
rugente e frio
lá ao fundo. penso
que farás
:dormes, certamente,
mão com mão, embalado num sonho,
oxalá lindo, lindo

assim quereria.


são tão altas as paredes da noite
tão habitadas pela estranheza de existirmos. tanta é a insónia
que me visita para me deixar este travo de amargor
esta suspeição de que para lá de todo o mundo
existe qualquer outra coisa
de que nem sei a cor
nem o sabor

(tento recuperar o meu corpo
a morna quietude do meu corpo
e acontece-me despertar
sempre e cada vez mais)



- há qualquer coisa de antigo neste estar aqui
a esta hora despropositada e perdida
a tentar alinhavar uma carta-


(o tempo que nos engole os dias e
o tempo que nos regurgita em solidão à luz do sol)

dias a dias a roda incessante das horas nos rouba
o sonho feliz. provavelmente
é um certo vazio que se instala entre os ossos e
a cor do olhar. perco-me tantas vezes quando
vigio o outro lado do mundo
perante o imenso das águas
de que quase sinto o rugido
aqui
sentada no silêncio da aldeia e digo
:então a vida é isto?

a gente entrega assim
tantas vezes

demasiadas vezes

um corpo
a outro
corpo

na esperança que ele o devolva roído de
ossos e tristezas e no
final
os dias são a hora exacta dos olhos no momento em que uma dor
qualquer
maior que a hora toda
se interpõe entre
mim
e
ti

(carregamos todos demasiados segredos
dores inconfessáveis e antigas
carreiros sinuosos por onde as lágrimas calam
e secam)

sei: há esse quotidiano de mãos
que se afundam na distância
e beijos por dar
sempre por dar
:há essa fronteira de vidro
inquebrantável fronteira de vidro e casas de onde semeamos estas palavras
como segredos
(:quanto
que de nós resta
depois da morte sussurrada
depois da morte
da doce morte
que assoma em cor
ao teu rosto
em água à tua boca
e se faz e desfaz
entre pernas e lençóis e vida
- uma pequena morte que reclamamos como nossa
um pedaço de ressurreição
possivelmente uma terra de renovadas boas-novas

-sei)



a verdade é que uma andorinha nunca basta
para toda a primavera
e como poderíamos então
crescermo-nos como outras terras
um no outro?

(temo ter-te já dito demasiado)

o que na verdade acontece é tangível apenas
no pensamento


sobra sempre um olhar
que vigia o frio rugido em que os dias
como o mar
se estendem para lá
sempre para lá
sempre
para lá

de Blimunda

IRINA PALM




SAM GABARSKI isto é ridículo.
A Marianne Faithfull é a única coisa boa do filme.

''O homem não pode ser ora livre, ora escravo''

Ser é Escolher-se

Para a realidade humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, nem tão-pouco de dentro, que possa receber ou aceitar. Está inteiramente abandonada, sem auxílio de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de se fazer ser até ao mais ínfimo pormenor. Assim, a liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de ser. (...) O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente e sempre livre, ou não é. 

Jean-Paul Sartre, in 'O Ser e o Nada'



Manel Llèdos 

História de uma música de que eu gosto.


 
Marianne Faithfull iniciou a sua carreira musical em 1964, com uma pequena digressão como cantora folk em cafés. Faithfull foi descoberta numa festa de promoção dos Rolling Stones'pelo produtor musical Andrew Loog Oldham. O seu primeiro grande lançamento, "As Tears Go By", escrita por Jagger, incluída num álbum financiado por Oldham, Mick Jagger e Keith Richards, que a tornou num sucesso de vendas - música que, mais tarde, seria reclamado de volta pelos Stones. 

terça-feira, 6 de maio de 2008

do you remember


CHRIS BURDEN?

Em nome da sua arte, foi alvejado, pregado a um Volkswagen Beetle e incendiado. Rastejou nu sobre cacos de vidro, passou fome durante 11 dia numa ilha deserta e fechou-se dentro de um cacifo durante uma semana inteira.
Hoje, aos, 62 anos, relembra as suas experiências performativas.

FORMAÇÃO e CARREIRA
Burden estudou artes visuais, fisica e arquitectura em Yale College e na University of California, de 1969 a 1971. A sua reputação como artista performativo começou a crescer no ínicio dos anos 70 depois de uma série de performances contorversas nais quais a ideia de perigo pessoal como expressão artística era central.


Shoot

A sua mais conhecida performance daquele tempo foi a peça SHOOT, que teve lugar no F Space, Santa Ana, California em 1971, na qual ele foi alvejado no braço esquerdo por um assistente a uma distância aproximada de 5 metros. Burden foi levado a um fisioterapeuta depois deste acto.Outras performances dos anos 70 foram Five Day Locker Piece (1971), Deadman (1972), B.C. Mexico (1973), Fire Roll (1973), TV Hijack (1972), Trans-fixes (1974), Kunst-Kick (1974) Doomed (1975) e Honest Labor (1979).


Five Day Locker Piece


TRANS-FIXED


KUNST KICK

Algumas das suas peças foram consideradas algo controversas naquele tempo. Outra peça "perigosa" foi DOOMED, na qual Burden estava deitado, imóvel, numa galeria debaixo de um lenço de vidro, com um relógio a tiquetar ao lado. Segundo o conceito de Doomed , Chris estava preparad para permanecer naquela posição até que alguém, no museu, interferice de alguma forma com a peça. Quarenta e cinco horas depois, um guarda do museu colocou um recipiente com água junto de Burden, acabando assim com a peça.
Em 1975, Chris criou o perfeitamente operacional B-Car


Este leve veículo de 4 rodas, que Chros descreveu como "able to travel 100 miles per hour and achieve 100 miles per gallon".
Outro dos seus trabalhos desse periodo foi DIECIMILA (1977), uma falsificação de uma nota italiana de 10,000 liras, possivelmente o primeiro trabalho de "fine arts" impresso de ambos os lados.
EM The Speed of Light Machine (1983), reconstruiu uma experiência científica para "ver" a velocidade da luz.


Na instalação C.B.T.V. (1977), reconstitui a primeira televisão mecânica alguma vez feita.



Em 1978, tornou-se professor da Univ. da Califórnia, cargo do qual se demitiu em 2005, devido a um conflito causado pela repetição da sua performance "Shoot" por um dos alunos nas instalações da Universidade.
Em 2005, apresentou Ghost Ship, o seu iate sem tripulação.




BURDEN HOJE
ENTREVISTA À W MAGAZINE- MAIO 08


Bunder ao lado do seu Beehive Bunker, de 2006, na sua casa em Topanga Canyon.

“One of the motivations for doing performances, which is going to sound dumb, is that when I got out of graduate school, I didn’t have any money,” recalls the artist at the Topanga Canyon compound where he works and lives with his wife, artist Nancy Rubins. “I really wanted to keep making art.”
These days Burden shows no ill effects from those earlier physical trials. Since the Eighties, he has mainly created outsize sculptures, and as he talks, a team of studio assistants are busy assembling his latest monumental creation: a 65-foot model skyscraper made with approximately one million stainless steel replicas of Erector set parts, which will be on view in June at New York’s Rockefeller Center with support from the Public Art Fund and developer Tishman Speyer. The tower recalls the fact that Burden wanted to be an architect before becoming an artist, and its title, What My Dad Gave Me, is a tribute to his engineer father.
“What I’m doing with these parts is kind of nuts,” says Burden, noting that A.C. Gilbert, who invented the Erector set in 1911, was inspired by that era’s novel steel architecture. “To me there’s a beautiful circle, in that I’m finally building a building with them.”
Given the dark mystique of his performances, Burden exhibits a surprising amount of gee-whiz enthusiasm in person, whether discussing Erector sets or the miniature train he’d like to build on his property. And unlike some artists, he is happy to talk about past work, including the notorious Shoot. Performed in 1971 during the height of the Vietnam War, the piece could not be simpler or more radical: Burden called a group of friends into a gallery to watch an assistant shoot him with a .22 rifle. “The bullet went into my arm and went out the other side,” recalls Burden, who essentially treated his body as a sculptural material to be reshaped by the bullet’s passage. “It was really disgusting, and there was a smoking hole in my arm.” The extreme act defined Burden’s career but to some seemed inexplicable, if not entirely deranged. The artist counters that the piece, in fact, was carefully rehearsed to minimize the chance of more serious injury. Cheating death was never the intent, he insists. “I was trying to think about a big fear,” says Burden. “Rather than turn from it, I was trying to face it, to eke something out of it, to doodle it out.”

http://www.wmagazine.com/artdesign/2008/05/chris_burden
http://en.wikipedia.org/wiki/Chris_Burden

segunda-feira, 5 de maio de 2008

''O coração, se pudesse, pararia" (Pessoa)

Jeanne Hebuterne with Hat and Necklace, 

Modigliani, 1917


Faye Dunaway
POLANSKI'S CHINATOWN(1974)

domingo, 4 de maio de 2008

(nenhuma palavra ali tem asas)

MODIGLIANI

[A mulher]

A mulher
organiza as sombras para evitar o escuro
na pele sente o medo

é prudente na batalha com as perguntas
que pousam no dia

sorriso

quando o som do telefone invade a sombra
nenhuma palavra lhe sai da voz
deverá falar como se fossem outras coisas a
respirar em vez do grito?

à janela, o vento e o sol, limpam-lhe as vozes
sobrepostas a dizer aquilo que a voz não diz.
mas não hoje

disse que não seria capaz de mudar
perdida no quarto, pequenino, onde utiliza os hábitos
como movimentos grosseiros

nenhuma palavra ali tem asas

fica apenas o silêncio onde a mulher fecha
as persianas e depois as cortinas
sem explicar o sentido do grito. 

Maria Sousa — [A mulher], poema inédito (lido no ciclo de leituras encenadas “Da Voz Humana”).

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ainda nao tinha falado...

do concerto de quinta-feira, que trouxe ao Musicbox os nova-iorquinos Jon Spencer e Matt Verta-Ray, que formam os explosivos HEAVY TRASH.



A grande supresa foram os POWER SOLO, que abriram a noite e ainda acompanharam os HeavyTrash. Não conhecia e fiquei fã desta banda dinamarquesa, composta por um alucinado vocalista, Kim Kix, Atomic Child na guitarra e JC Benz na bateria.


PLASMA CRYSTAL DOPE- POWERSOLO


E há mais desta disto hoje ( sexta 2 ) em Coimbra e amanhã ( sábado 3 ) no Porto. A after-party de cada um destes concertos ficará a cargo do DJ a boy named Sue .