domingo, 27 de janeiro de 2008

Recuperemos as crianças dentro de nós.


"Uma verdadeira lufada de ar fresco no cinema contemporâneo." 
Carlos Pereira

Juntem 3 irmãos patéticos separados há um ano, premissas de purificação espiritual, a Índia como cenário, um tigre, um milionário envolto em ligaduras, The Kinks como banda sonora, um pouco de Joe Dassin, um funeral indiano em pijamas, uma mãe freira nos Hilamaias que gosta de comunicar sem palavras, um comboio chamado Darjeeling Limited que se perde, algum drama, muita comédia, um albino que não o é, a sinfonia nº7 num i-pod à fogueira, limas doces e cigarros, penas mágicas, umas quantas malas de vários tamanhos e feitios, uma serpente mortal, spray pimenta e mocas com medicamentos sem prescrição.

Agitem estrategicamente e têm a perfeição improvável do genial Darjeeling Limited, de Wes Anderson,


sábado, 26 de janeiro de 2008

Into this world we're thrown.

 Edward Hopper – Man Seated on Bed, 1905-6.




















 Paul Caponigro, Megaliths


RIDERS ON THE STORM
THE DOORS, 1971

CONTOS DA LUA VAGA.


CONTOS DA LUA VAGA
(Ugetsu Monogatari, 1953)
Kenji Mizoguchi


"Um dos mais belos poemas de aventura e de amor louco, um dos cantos mais fervorosos compostos em honra da renúncia e da fidelidade, um hino à Unidade e, ao mesmo tempo, à diversidade das aparências."
(Eric Rohmer)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

STEREODOX - há músicas que nos lembram do corpo que temos :


BABY DID A BAD BAD THING
CHRIS ISAAK (1999)

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Larga tudo e a ti também.

The Bible, John Huston, 1966

"Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria. Deve haver certamente outras maneira de se salvar uma pessoa, senão estarei perdido."
ALMADA NEGREIROS

A Cena Do Ódio
(excerto)
...
Larga a cidade masturbadora, febril,
rabo decepado de lagartixa,
labirinto cego de toupeiras,
raça de ignóbeis míopes, tísicos, tarados,
anémicos, cancerosos e arseniados!
Larga a cidade!

Larga a infâmia das ruas e dos boulevards,
esse vaivém cínico de bandidos mudos,
esse mexer esponjoso de carne viva,
esse ser-lesma nojento e macabro,
esse S ziguezague de chicote autofustigante,
esse ar expirado e espiritista,
esse Inferno de Dante por cantar,
esse ruído de sol prostituído, impotente e velho,
esse silêncio pneumónico
de lua enxovalhada sem vir a lavadeira!
Larga a cidade e foge!
Larga a cidade!

Vence as lutas da família na vitória de a deixar.
Larga a casa, foge dela, larga tudo!
Nem te prendas com lágrimas que lágrimas são cadeias!
Larga a casa e verás -- vai-se-te o Pesadelo!
A família é lastro: deita-a fora e vais ao céu!
Mas larga tudo primeiro, ouviste?
Larga tudo!

-- Os outros, os sentimentos, os instintos,
e larga-te a ti também, a ti principalmente!
Larga tudo e vai para o campo
e larga o campo também, larga tudo!
-- Põe-te a nascer outra vez!
Não queiras ter pai nem mãe,
não queiras ter outros nem Inteligência!
A Inteligência é o meu cancro:
eu sinto-A na cabeça com falta de ar!
A Inteligência é a febre da Humanidade
e ninguém a sabe regular!
E já há inteligência a mais: pode parar por aqui!

Depois põe-te a viver sem cabeça,
vê só o que os olhos virem,
cheira os cheiros da Terra
come o que a Terra der,
bebe dos rios e dos mares,
-- põe-te na Natureza!
Ouve a Terra, escuta-A.
A Natureza à vontade só sabe rir e cantar!

Depois, põe-te à coca dos que nascem
e não os deixes nascer.
Vai depois p'la noite nas sombras
e rouba a toda a gente a Inteligência
e raspa-lhes bem a cabeça por dentro
co'as tuas unhas e cacos de garrafas,
bem raspado, sem deixar nada,
e vai depois depressa, muito depressa,
sem que o sol te veja,
deita tudo no mar onde haja tubarões!
Larga tudo e a ti também!
...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Os limões frios


Os limões frios
Gastão Cruz
De cada vez que vínhamos à casa 
dos bisavós longinquamente mortos 
que para ela tinham escolhido 
um lugar na pureza 
da terra absoluta 
quando 
principiava a primavera 
e a avó saudava as andorinhas 
como se no regresso 
do ano anterior as mesmas fossem 
e o sopro dos besouros me fazia 
sentir que qualquer coisa novamente mudara 
nos meus dias e o verão 
subia e o calor da tarde intumescia 
o sexo adolescente 
e antes de regressar ao varejo da amêndoa 
num silêncio de suor o jovem tio dormia 
de cada vez nós víamos 
da árvore desprenderem-se 
os limões frios



Ornithophobia by Lara Fairie

The Trial

The Trial, 1972, Orson Welles

“Exactly, I repeated myself. I believe we do it all the time. We always take up certain elements again. How can it be avoided? An actor’s voice always has the same timbre and, consequently, he repeats himself. It is the same for a singer, a painter…There are always certain things that come back, for they are part of one’s personality, of one’s style. If these things didn’t come into play, a personality would be so complex that it would become impossible to identify it.

It is not my intention to repeat myself, but in my work there should certainly be references to what I have done in the past. Say what you will, but The Trial is the best film I ever made…I have never been so happy as when I made this film.

(talking about directing, The Trial (1962) - from Orson Welles: Interviews (book))” 
― Orson Welles

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

DIAL FOR DIVA: Anne

Anne Baxter

"Vivo como se não estivesse aqui / roupa leve como acontece na vida." (RNG)


Nissan Ariana Window. 1969, Ken Jacobs.



Fitted sheet on the Line, Irene Fay, 1977


His shirt on the Line,  Irene Fay, 1977

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A violência da premonição


THE ASSASSINATION OF JESSE JAMES
BY THE COWARD ROBERT FORD
Andrew Dominik (2007)

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Em folhas era amá-lo.

Como a chuva não cessasse de cair em caudais,
Tiras de tinta começaram a aparecer na fotografia
O tecto da chuva rompera o abrigo da sua alma
E o verde circulava a deriva rompendo as plantas.
Elvira deixara cair seus olhos de objectiva nas
Folhas verdes. Verificava que era sobre elas e como
Elas que sempre olhara a natureza. Ver o real
Em folhas era amá-lo ininterruptamente. Essa
Contiguidade acabara por compor uma rede
Que tinha tanto de próximo como de diferente,
E a chuva não era chuva, transparecia. Eis, pensou.
Por que chove na fotografia, por que chove
Em correntes sobre as folhas?
Maria Gabriela Llansol

Rodney Smith

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

O MEU TOP TEN 2007

Abriu a época dos tops. 
CÁ VAI O QUE DE MELHOR VI EM 2007.
Não tenho a certeza acerca da ordem - é difícil.


10º
Letters from Iwo-Jima, de Clint Eastwood




A Este de Bucareste, de Corneliu Porumboiu




Still Life, de Jia Zhang Ke




Lady Chatterley, de Pascale Ferran




Paranoid Park, de Gus van Sant




Shortbus, de John Cameron Mitchell




Eastern promises, de Cronenberg




Inland Empire, de David Lynch




The Fountain, de Darren Aronofsky




Control, de Anton Corbjin

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Celebrating

THE NEW YEAR of 2008
Death Cab for Cutie, "Transatlanticism (2003)



terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Sonhos inquietos em que caminho sozinha.


No one dare disturb the sound of silence. 
Brassai

Memories.

"i wonder if memories are something we have
or something we have lost."


Blade Runner, Ridley Scott, 1982