quinta-feira, 26 de abril de 2007

(pequenas mortes)

deixei a voz de gritar nos últimos dias de sol.

Under the volcano, John Huston


quinta-feira, 12 de abril de 2007

strings, bodies and lights.

terça-feira, 3 de abril de 2007

as minhas asas são mais velhas do que tua paciência



POEMA DE CHRISTINE LAVANT
em tradução de Ricardo Domeneck

Eu quero partir com os loucos o pão,
migalhas diárias do desespero grande,
também o sino em meio ao peito,
ali onde o pombo aninha-se
e tem seu refúgio minúsculo
no ermo sobre as águas.
Residi por anos como pedra
no chão das coisas.
Eu ouvi, porém, o sino
sussurrar teu segredo
nos peixes com asas.
Hei-de aprender a voar e nadar,
deixar o pedregoso sob as pedras,
aconchegar em madrepérola 
a melancolia, elevar aflição, ira.
Minhas asas são mais velhas 
que tua paciência, minhas asas
vão à frente da coragem 
que tomou sobre os ombros o louco.
Eu quero partir com os loucos o pão,
ali no ermo assustador do pombo,
onde o sino triparte o maior desespero
ao som tríplice do teu nome.