terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

( Eu e a minha fantasia Herzog )

L'Atlantide, Jacques Feyder, 1921

Tempestade à beira-mar, mas

ao menos a história deste clima, eu penso, foi cenário de todas as histórias que aqui se passaram antes de mim.
The Ghost and Mrs Muir, Joseph L. Mankiewicz, 1947

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Próximos da Revelação.

 como se tivessem chegado demasiado próximo da revelação e acabassem destruídos por ela.


Lilith
ROBERT ROSSEN (1964)










Jean Seberg protagoniza o turvo reino das fantasias em que se move : a doçura inocente dos traços da bela Lilith o mais credível dos simulacros entre os demais, encerra o mistério que cativa as atenções em seu redor. 
Sirene, provoca a natureza. As folhas da árvore reflectem uma ofuscante incandescência à sua passagem. As águas do rio reconhecem o seu chamamento e respondem em rima de turbulência. Todo o seu corpo é imediato como tudo o que se vê. Tudo vibra, num coro calmo e silencioso. 

A perfeição é sempre o advento da destruição.


sábado, 24 de fevereiro de 2007

DIAL FOR DIVA: Lillian

Lillian Gish

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

''Eu, eu mesmo... Eu, cheio de todos os cansaços Quantos o mundo pode dar. – Eu... Afinal tudo, porque tudo é eu.''

House by the River, Fritz Lang, 1950

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Não ha filme político sem memória.


Eu gostaria agora de acrescentar [...] que não há filme político sem memória. Por memória se entende colocar-se em oposição à social-democracia, ao reformismo e a toda a bagunça, porque, estes aí, a única coisa que eles recusam é que houve um passado, coisas diferentes, são completamente antimarxistas: o método marxista por excelência consistia em voltar até os assírios e mostrar como as coisas eram diferentes, o que havia mudado. E Marx ia cada vez mais longe à medida que envelhecia.

(Jean-Marie Straub, 2001)

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

#whatwomenwant

Casa-Museu Studio Ghibli (Japão)


Rapaz - Não percebo mesmo a cena em torno do Pedro Mexia. Ele é horrível!
Rapariga - É fácil!
Rapaz - Como? Ele tem mais de cem quilos, tem uma voz irritante e os olhos juntos!
Rapariga - A mulherada anda a sofrer com a escassez. Há muitos corpos e poucas cabeças.

DIAL FOR DIVA: Doris

Doris Day

A cidade contra os corpos.



"A mind of a certain size can feel only exasperation toward a city. Nothing can drive me more fully into despair. The walls first of all, and even then all the rest is only so many horrid images of selfishness, mistrust, stupidity, and narrow-mindedness. No need to memorize the Napoleonic code. Just look at a city and you have it. Each time I come back from the country, just as I am starting to congratulate myself on my calmness, there breaks out a furor, a rage... And I come upon my mark, homo sapiens, the acquisitive wolf. Cities, architectures, how I loathe you! Great surfaces of vaults, vaults cemented into the earth, vaults set out in compartments, forming vaults to eat in, vaults for sex, vaults on the watch, ready to open fire. How sad, sad..." 
Henri Michaux






Repete-se sempre como a história do cinema acompanha o crescimento da habitação urbana no século XX, com o cinema a nascer como o grande entretenimento para as massas que, em parte constituídas por gentes rurais aí chegadas sem instrução, encontravam imediata compreensão na popularidade do cinema mudo. Mas, se o cinema noir viveria intimamente do mistério do ambiente urbano, em cativantes quadros nocturnos de show girls, bares para solitários e clubes de jazz, nos primórdios do cinema o tom era outro - aí, a cidade existe contra os corpos, foge à escala humana. Antes do entusiasmo das sinfonias urbanas do final dos anos 20, a cidade tende a ser retratada como um ambiente hostil, pontuada pela pobreza generalizada (a personagem do Tramp de Chaplin surge pela primeira vez em 1914), pelo vício (Sunrise de Murnau, 1927, é um emblema da desconfiança no carácter das pessoas da cidade face às do campo), pelo álcool, pela exploração do corpo, pelo crime e pelo ludibrio (uma falta de esperança geracional de que trata, por exemplo, Regeneration de Raoul Walsh, 1915), ou descrita como o último reduto das expectativas humanas dos que dependem das oportunidades materiais da cidade mas anseiam por fugir (City Girl, Murnau, 1930). Mesmo um cenário de especulação futurista como Metropolis (Fritz Lang, 1929), dá uma definição-tipo de cidade : uma máquina de relaçõea assente numa estrutura de desigualdade, que opõe os arranha-céus de uma elite de privilegiados aos subterrâneos infernais onde a maioria é escravizada em trabalhos forçados.


- But where am I to go? What am I to do ? 
- If I had a face and a figure like yours, I wouldn't ask silly questions.

Helen Mack 
in
While Paris Sleeps (Allan Dwan, 1932)


Talvez só com a Nova Vaga e com o princípio do cinema independente norte-americano cheguemos em pleno ao mais liberto dos retratos da cidade, diurno, livre, à medida do flaneur e como espaço de intervenção e acção política por excelência.

''Meia-noite no castelo da proa''

Finis Terrae de Jean Epstein (1929)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

DIAL FOR DIVA: Norma

Norma Shearer