sábado, 30 de dezembro de 2006

Sol mas ''com que felicidade infecundo, cansaço, ''

(...)

Há sem dúvida quem ame o infinito, 
Há sem dúvida quem deseje o impossível, 
Há sem dúvida quem não queira nada — 
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: 
Porque eu amo infinitamente o finito, 
Porque eu desejo impossivelmente o possível, 
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, 
Ou até se não puder ser... 

E o resultado? 
Para eles a vida vivida ou sonhada, 
Para eles o sonho sonhado ou vivido, 
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... 
Para mim só um grande, um profundo, 
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, 
Um supremíssimo cansaço, 
Íssimno, íssimo, íssimo, 
Cansaço... 

Álvaro de Campos, excerto de ''Cansaço'' in "Poemas" 
 



Room with a view, James Ivory, 1985

 Van Gogh 


 Room with a view, James Ivory, 1985



 Room with a view, James Ivory, 1985

A paixão dos fortes.

I'm ten miles outside the city
And I'm lifted away
In an ancient light
That is not of day
They were calm they were gloomed
We knew them all too well
We loved each other more than
we ever dared to tell



Cross the Green Mountain, BOB DYLAN


My Darling Clementine, John Ford, 

(E quando disserem que as traduções dos títulos são sempre entre o péssimas e o ridículas em português, atirem-lhes com este. E com o ''Das Nuvens à Resistência'' dos Straub, 1946)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Rebels without a cause




«existe algures uma beleza», pensava Delia, «algures há liberdade, e algures ele está... a usar a sua flor branca...»
in Os Anos, Virginia Woolf



o primeiro amor é sempre errante, é sempre trágico: 



a sociedade é por génese conservadora : contém os vôos individuais.
amar é a primeira forma de infringir a lei. 
o amor não conhece leis.

This boy and this girl
were never properly introduced
to the world they live in

THEY LIVE BY NIGHT ( NICHOLAS RAY, 1949 )

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

morno, brando, tudo vai suave



Em geral, a suspeita de que talvez seja demasiado feliz para deixar boa escrita.

De que serve a razão / Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?



De que Serve a Bondade





De que serve a bondade 
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos 
Aqueles para quem foram bondosos? 

De que serve a liberdade 
Quando os livres têm que viver entre os não-livres? 

De que serve a razão 
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?



Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos 
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor; 
A faça supérflua! 

Em vez de serdes só livres, esforçai-vos 
Por criar uma situação que a todos liberte 
E também o amor da liberdade 
Faça supérfluo! 

Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos 
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos 
Um mau negócio! 

Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas' 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Sobre as variações da mesma tarde de domingo :


Grand Hotel
EDMUND GOULDING (1932)

De 1932, um prenúncio da instabilidade alemã na altura, em plena República de Weimar. 
(Há o cão Adolphus acarinhado pelo barão falido, 
há o médico com uma lesão facial porque combatera na I Guerra...)


O Apartamento
BILLY WILDER (1960)
Who doesn't want to fall in love?

Sicília
STRAUB- HUILLET (1999)

Sicília. A vida é bela porque simples, a vida é bela porque bruta.


PS. Não comento o Chansons d'Amour que calhou ver.

domingo, 17 de dezembro de 2006

A triste jardinagem / dos poemas por abrir.

Nas ruínas de novembro
a triste jardinagem
dos poemas por abrir.

José Miguel Silva


America, America, Elia Kazan, 1967

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

não há peito que se esgote bata-lhe um coração.

“Fecho subitamente portas dentro de mim
por onde certas sensações iam passar para se realizarem.”
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego



Pele de burro, Jacques Demy, 1970
Cat ballou, Eliot Silvertein, 1965

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

In vacant or in pensive mood / They flash upon that inward eye / Which is the bliss of solitude

Céline et Julie vont en bateau, Rivette, 1974

sábado, 9 de dezembro de 2006

DIAL FOR DIVA: Clara

Clara Bow

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Jean-Daniel Pollet

JEAN-DANIEL POLLET

LE HORLA , 1966
(1/3)

POUR MEMOIRE, 1978
(1/4)

Tu.


Alain Delon + Romy Schneider, La Piscine, Jacques Deray, 1969


"…Para mim tu significas um mergulho no mar do silêncio, e emergir seca de palavras (...) "

IN www.abarcadopescador.blogspot.com

Balada dos antepassados.

“If Shakespeare had never existed, He asked, would the world have differed much from what it is today? Does the progress of civilization depend upon great men?” (VIRGINIA WOOLF)



Unchanging Sea, D W Griffith, 1910

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

paraísos artificiais

( Não existe melhor anti-depressivo do que um filme em technicolor.)



All that Heaven allows, Douglas Sirk, 1955 

sábado, 2 de dezembro de 2006

Celebrating Cinema.

(Cenas de um triunfo que não conhece palavras.)


Werckmeister harmóniák
BÉLA TARR (2000)



Stroszek
WERNER HERZOG (1977)



The Searchers
JOHN FORD (1956)



Les 400 Coups
TRUFFAUT (1959)






jovem Jean-Pierre Léaud na estreia de "Les 400 Coups",
em "La Nouvelle Vague Par Elle Même", 1964