terça-feira, 27 de junho de 2006

Sabrina meets Sabrina

trabalho de
Sabrina Ward Harrison



: a sociedade do espectáculo

“Distraction serves evil more than any other mental state.” 
― Stefan Molyneux


os Fotodramas de Cátia Cóias



La Dona Bionica
.blogspot.com













sexta-feira, 16 de junho de 2006

STEREODOX - O meu corpo é a minha prisão :

by MC SimonE
MY BODY IS A CAGE

I’m living in an age
Whose name I don’t know
Though the fear keeps me moving
Still my heart beats so slow.
Still next to me
My mind holds the key
Set my spirit free




Os ARCADE FIRE são, sem dúvida, parte da banda sonora da minha vida. Também poderiam ser de "Once Upon a Time in the West", de Sergio Leone.

A cada geração as suas cicatrizes




Estamos dolorosamente conscientes do que significa ter um corpo historicamente constituído.
Ieda Tucherman in "breve história do corpo e dos seus monstros"





quinta-feira, 15 de junho de 2006

Clowns.


Deleuze - Cinema II


Giséle Kérozène, JAN KOUNEN (1989)

sexta-feira, 2 de junho de 2006

: A minha poesia pode perfeitamente não levar a lado algum



O autor não se responsabiliza pelos danos que os seus escritos
[possam causar:
Ainda que lhe custe,
O leitor terá de dar-se sempre por satisfeito.
Sabelius, que além de teólogo foi humorista bem sucedido,
Por acaso respondeu pela sua heresia
Depois de ter reduzido a pó o dogma da Santíssima Trindade?
E se chegou a responder, como o fez,
De que forma disparatada!
Baseando-se num cúmulo de contradições!

Segundo os doutores da lei este livro não deveria ser publicado:
Em nenhuma parte aparece nele a palavra arco-íris,
Ainda menos a palavra dor,
A palavra torquato.
Cadeiras e mesas figuram a granel,
Algo que me enche de orgulho
Porque, a meu ver, o céu está a cair aos bocados.

Os mortais que tiverem lido o Tractatus de Wittgenstein
Podem dar-se com uma pedra no peito
Porque é uma obra difícil de alcançar:
Mas o Círculo de Viena dissolveu-se há anos,
Os seus membros dispersaram-se sem deixar rasto
E eu decidi declarar guerra aos cavalieri della luna.

A minha poesia pode perfeitamente não levar a lado algum:
«Os risos deste livro são falsos!», argumentam os meus
[detractores,
«Suas lágrimas, artificiais!»
«Em vez de suspirar, nestas páginas boceja-se»
«Esperneia-se como um bebé de mama»
«O autor dá-se a entender aos espirros».
Assim sendo: convido-vos a queimar os vossos navios,
Como os fenícios pretendo criar o meu próprio alfabeto.

«Há que cansar o público, então?», perguntar-se-ão os amigos
[leitores:
«Se o próprio autor começa por desprestigiar os seus escritos,
Que poderá esperar-se deles!».
Cuidado, eu não desprestigio nada
Ou, melhor dizendo, eu exalto o meu ponto de vista,
Vanglorio-me das minhas limitações,
Levo aos píncaros as minhas criações.

As aves de Aristófanes
Enterravam nas suas próprias cabeças
Os cadáveres dos seus pais
(Cada pássaro era um verdadeiro cemitério volante).
A meu ver
Chegou a hora de actualizar esta cerimónia
E eu enterro as minhas penas na cabeça dos senhores leitores!



Nicanor Parra, de Poemas y Antipoemas (1954).
Versão de HMBF.