segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Carlos Saura sobre Buñuel


 Ana Torrent em Cria Cuervos (Carlos Saura, 1976)

Indudablemente la influencia de Gómez de la Serna es perceptible en los trabajos de Buñuel. Pero creo que la huella de Gracián es más palmaria. En Gracián hay imágenes que podríamos llamar o identificar como surrealistas. Por ejemplo de personas que están jugando al frontón y la pelota se transforma en cabeza; los ciegos de La vía láctea siguen a otro ciego que los conduce al precipicio. El criticón está repleto de este tipo de imagenes. Hablé muchas veces con Luis de esto. Él conocía muy bien a los clásicos españoles y, por otra parte, sabía muchísimo de religión. 

Carlos Saura.

onde o mundo germina

Entrada
VÍCTOR RODRÍGUEZ NUÑEZ

Não sei por que caminho
foi que cheguei aqui
Neste lugar estranho
sem casas nem paisagem
Este lugar despido
das pedras até à alma
onde o mundo germina

Talvez também tu chegues
seguindo este caminho
Pois nesta vida farta
de acertos e certezas
o erro é o que nos une
A poesia é o reino
dos equivocados

Hævnens Nat (Night of Revenge), Benjamin Christensen, 1916

domingo, 29 de janeiro de 2006

Death by Party.

Hustle, Robert Aldrich, 1975

sábado, 28 de janeiro de 2006

: 'Cause I want to be anarchy In the city

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

Christine Leithe.



Shot

Dark

Body

GÉRARD CASTELLO-LOPES






quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

''O vento que já foi um pássaro.''


sábado, 21 de janeiro de 2006

horas como água escorrem por entre os dedos.


Et ignotas animum dimittit in artes.
("And he turned his mind to unknown arts.")
—Ovid, Epigraph to A Portrait of the Artist as a Young Man





MALA NOCHE (Gus Van Sant, 1985)

Quantos Césares fui!

"Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado,
porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa,
porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sonho
sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui
tudo. Também tenho despertado, mas que importa? Quan-
tos Césares fui! E os gloriosos, que mesquinhos! César, salvo
da morte pela generosidade de um pirata, manda crucificar
esse pirata logo que, procurando-o bem, o consegue prender.
Napoleão, fazendo seu testamento em Santa Helena, deixa
um legado a um facínora que tentara assassinar a Wellington.
Ó grandezas iguais às da alma da vizinha vesga! O grandes
homens da cozinheira de outro mundo! Quantos Césares fui,
e, sonho todavia ser ."

LIVRO DO DESASSOSSEGO

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

''como se a própria falta de sentido da existência entrasse por nós adentro''

''(...) cai sobre nós um vazio enorme, como se a própria falta de sentido da existência entrasse por nós adentro e se estendesse como uma imensa e despida paisagem.''
em Uma vasta e deserta paisagem. Kjell Askildsen

Tarnished Angels, Douglas Sirk, 1957


quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

When the child was a child...

“Song of Childhood” by Peter Handke 

(From The Film “Wings of Desire”, dir. Wim Wenders, 1987)

When the child was a child
It walked with its arms swinging,
wanted the brook to be a river,
the river to be a torrent,
and this puddle to be the sea.
When the child was a child,
it didn’t know that it was a child,
everything was soulful,
and all souls were one.
When the child was a child,
it had no opinion about anything,
had no habits,
it often sat cross-legged,
took off running,
had a cowlick in its hair,
and made no faces when photographed.
When the child was a child,
It was the time for these questions:
Why am I me, and why not you?
Why am I here, and why not there?
When did time begin, and where does space end?
Is life under the sun not just a dream?
Is what I see and hear and smell
not just an illusion of a world before the world?
Given the facts of evil and people.
does evil really exist?
How can it be that I, who I am,
didn’t exist before I came to be,
and that, someday, I, who I am,
will no longer be who I am?
When the child was a child,
It choked on spinach, on peas, on rice pudding,
and on steamed cauliflower,
and eats all of those now, and not just because it has to.
When the child was a child,
it awoke once in a strange bed,
and now does so again and again.
Many people, then, seemed beautiful,
and now only a few do, by sheer luck.
It had visualized a clear image of Paradise,
and now can at most guess,
could not conceive of nothingness,
and shudders today at the thought.
When the child was a child,
It played with enthusiasm,
and, now, has just as much excitement as then,
but only when it concerns its work.
When the child was a child,
It was enough for it to eat an apple, … bread,
And so it is even now.
When the child was a child,
Berries filled its hand as only berries do,
and do even now,
Fresh walnuts made its tongue raw,
and do even now,
it had, on every mountaintop,
the longing for a higher mountain yet,
and in every city,
the longing for an even greater city,
and that is still so,
It reached for cherries in topmost branches of trees
with an elation it still has today,
has a shyness in front of strangers,
and has that even now.
It awaited the first snow,
And waits that way even now.
When the child was a child,
It threw a stick like a lance against a tree,
And it quivers there still today.

{neurastenia}


Comedimento.


O Estranho Caso de Dr. Jekyll e do Sr. Hyde, Rouben Mamoulian, 1931

"Sinto uma certa relutância em colocar certas questões que me façam lembrar do Dia do Juizo Final. Quando começamos a fazer perguntas, sentimo-nos como quem lança uma pedra, estando calmamente sentado no cume de um monte: a pedra começa a rolar, arrastando outras consigo e acaba por atingir, desprevenidamente, um desgraçado qualquer (...) Faço disso uma questão de princípio: quanto mais sórdido me parece um assunto, menos questões coloco acerca dele.''
Robert Louis Stevenson, O Estranho Caso de Dr. Jekyll e do Sr. Hyde

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

neste jogo da gente

Pialat, Byzance, 1964

entre amigos de há dez anos penso no que nos separa do que fomos e ocorre-me que crescer é numérico - cada humano um mundo que chega - mais um connosco - um nós - nós a sabermos que toda a gente tem os seus motivos nós a sabermos que tudo é mais complicado do que parece nós a sabermos que já nos enganámos com gente nós a sabemos que há que estudar tudo à origem e lá estamos nós a crescer como quem diz a fazer mundos com os outros e lá estamos nós a olhá-los como quem diz a querer vê-los bem duas três quatro cinco vezes - e nós a sabermos que não há o que se diga ou o que se faça agora que não venha já de trás  - que não venha já de longe - percebi que ir de caminho para adulto é tentar ser de bom julgamento e fiquei a saber que neste jogo da gente há pouco de verdade e que nada disto se apanha assim num lance de olho e que ver alguém é ver-se ao espelho - saber que o outro tem passado onde não estivemos é saber do tanto que nos falta para o julgar no presente - nisto nós a sabermos que estamos unidos por ossos verdadeiros - nisto os erros largados a descoberto - nisto amigos entre amigos - os lugares por onde o tempo não passa.

That line stopped working decades ago.



A Place in the Sun, George Stevens, 1951 

- (...), he said. I laughed.

domingo, 15 de janeiro de 2006

{Rainy days never say goodbye.}


Joyce on Shakespeare



"Shakespeare is the happy hunting ground of all minds that have lost their balance." 
- James Joyce

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Chris Marker = Guillaume = Sergei Murasaki

Reality is a construction''
Sigfried Kracauer


o trabalho de Chris Marker no Second Life

“Notre avatar est donc entré dans « l’Ouvroir » – le nom de l’exposition qui fait référence à l’Oulipo, l’Ouvroir de littérature potentielle. Cela commence par un grand corridor où sont exposés des portraits démultipliés de Frankenstein qui se télescopent avec des photos d’archives : portrait d’une femme, vieilles automobiles garées à la va-comme-j’te-pousse. On fait évoluer notre avatar dans cet espace oppressant et paradoxal où les images d’un autre temps s’entrechoquent. Un clic et l’on s’éloigne, un autre et l’on se rapproche jusqu’à se cogner contre le cadre. Le point de vue change, mais l’impression subsiste : on est perdu. Et c’est peut-être ce que poursuit Chris Marker : le point limite, là où les images du passé ne parviennent plus à susciter le souvenir. ”

Vamos juntos.


“Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.”(Herberto Helder)


autoria desconhecida

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Crianças da futura idade.


Sherlock Jr, Buster Keaton 1924

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

STEREODOX: O azul de uma segunda-feira.

STEREODOX: Montanha acima.

still from KATE BUSH's Running Up That Hill

Chromatics- Running Up That Hill 

https://www.youtube.com/watch?v=Mgv88ZLi6LY

Dial D for Drama

África Minha, Sydney Pollack, 1987

Fuga em frente

Et ignotas animum dimittit in artes
OVIDIO, Metamorphoses, VIII, 18

The Edge of the World (Powell, 1937)

to arts unknown he bends his wits, and alters nature

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

''um templo em forma de ilha / ou de mãos disponíveis para o amor”

“tento descobrir um cruzar de linhas misteriosas, e
com elas quero construir um templo em forma de ilha
ou de mãos disponíveis para o amor”
al berto

Untitled (Les Mains), (Erwin Blumenfeld)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

STEREODOX: I don't have to sell my soul.

STEREODOX: ''Yesterday I got so old / I felt like I could die''

Poetic Justice.

A Streetcar Named Desire, Elia Kazan, 1951

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

É festa, são ondas entornadas pelo espaço

Madame Bovary, Minelli, 1949



FEMME FATALE
THE VELVET UNDERGOUND & NICO


YOU REALLY GOT ME
THE KINKS



SOMEBODY TO LOVE
JEFFERSON AIRPLANE (Woodstock 1969)



HEART OF GLASS
BLONDIE (1979)



LE FREAK
CHIC (1979)


HOT STUFF
DONNA SUMMER (1979)

Núpcias medievais.


Silvestre
JOÃO CÉSAR MONTEIRO (1981)

«Séculos XV-XVI. Dom Raimundo, um senhor interessado em largar os seus domínios, combina o casamento de uma das filhas – uma legítima, Sílvia, outra bastarda, Susana – com um vizinho rico e jovem, D. Paio, seguindo para a corte, a fim de convidar o rei a assistir à boda. Durante a ausência do pai e mais tarde, aquando do banquete nupcial, ocorrem insólitos acontecimentos, que envolvem um peregrino a Santiago e um cavaleiro, que desejam as duas meninas» (Cit. José de Matos-Cruz em Cais do Olhar, ed. Cinemateca Portuguesa, 1999).

domingo, 1 de janeiro de 2006

Dial for Diva: CHLOE



Chloe Sevigny em Kids, Larry Clark, 1995